7.11.12

Dislexia

   Olá! Alguma vez vocês já se perguntaram como seria a vida de vocês se não soubessem ler, ou se tivessem alguma dificuldade com a a leitura?
   Imaginem a seguinte situação: os livros nos oferecem uma gama de 'viagens" sem nós ao menos sairmos do lugar, e, de repente, você não pode se aventurar nesse universo. Qual seria o seu sentimento? Como você lidaria com tudo isso. Pensou? Agora, traga isso pra vida real e imagine como deve ser a vida de um disléxico.
   Pesquisando pela net, descobri várias definições para o termo, mas todas levam pra um mesmo caminho:

   DISLEXIA: A palavra vem do grego, significa (ao pé da letra) palavra dificil. Caracteriza-se por  uma dificuldade na área da leitura, escrita e soletração. A dislexia costuma ser identificada nas salas de aula durante a alfabetização, sendo comum provocar uma defasagem inicial de aprendizado.

   A dislexia é mais frequentemente caracterizada por dificuldade na aprendizagem da decodificação das palavras. Pessoas disléxicas apresentam dificuldades na associação do som à letra (o princípio do alfabeto); também costumam trocar letras, por exemplo, b com d, ou mesmo escrevê-las na ordem inversa, por exemplo, "ovóv" para vovó. A dislexia, contudo, é um problema visual, envolvendo o processamento da escrita no cérebro, sendo comum também confundir a direita com a esquerda no sentido espacial.           Esses sintomas podem coexistir ou mesmo confundir-se com características de vários outros factores de dificuldade de aprendizagem, tais como o déficit de atenção/hiperatividade, dispraxia, discalculia, e/ou disgrafia. Contudo a dislexia e as desordens do déficit de atenção e hiperatividade não estão correlacionados com problemas de desenvolvimento.

   Não se tem uma 'origem' definida que faça com que uma pessoa possa ser, ou não disléxica. Algumas correntes consideram como sendo de origem hereditária, outros má formação neurológicas, outra ainda, que o feto pode ter sido exposto a doses exageradas de testosterona. Enfim, pra mim, a causa não importa, o que importa é que a dislexia existe e quase ninguém sabe com lidar com uma pessoa disléxica.

   Para a maioria das pessoas, ler deveria ser uma coisa natural, é inimmagináel uma pessoa não saber ler. Mas, amigos, o problema é real.
   As características lingüísticas, envolvendo as habilidades de leitura e escrita, mais marcantes das crianças disléxicas, são:
  1. a acumulação e persistência de seus erros de soletração ao ler e de ortografia ao escrever;
  2. confusão entre letras, sílabas ou palavras com diferenças sutis de grafia: a-o; c-o; e-c; f-t; h-n; i-j; m-n; v-u; etc;
  3. confusão entre letras, sílabas ou palavras com grafia similar, mas com diferente orientação no espaço: b-d; b-p; d-b; d-p; d-q; n-u; w-m; a-e;
  4. confusão entre letras que possuem um ponto de articulação comum, e, cujos sons são acusticamente próximos: d-t; j-x;c-g;m-b-p; v-f;
  5. inversões parciais ou totais de sílabas ou palavras: me-em; sol-los; som-mos; sal-las; pal-pla.
   Infelizmente, como em tantas outras áreas, a maioria das escolas brasileiras não está preparada para receber alunos disléxicos, e quando recebem não sabem como lidar com eles. É como se recebessem um 'elefante branco'.
   Há meios de intervenção, e cabe à escola e ao professor decidir um meio pra isso. Segundo Alessandra Gotuzo Seabra Capovilla, psicóloga, doutora e pós-doutorada em Psicologia Experimental pela Universidade de São Paulo, a intervenção na dislexia tem sido feita principalmente por meio de dois métodos de alfabetização, o multissensorial e o fônico. Enquanto o método multissensorial é mais indicado para crianças mais velhas, que já possuem histórico de fracasso escolar, o método fônico é indicado para crianças mais jovens e deve ser introduzido logo no início da alfabetização.
   Mas o disléxico não pode e nem deve ser visto como um pobre coitado pela sociedade. Eu não sei porque, mas a maioria dos disléxicos, podem ser considerados 'gênios' no que fazem de melhor.
   Esse final-de-semana eu tive o privilégio de assistir no HBO um documentário sobre a dislexia. Eu fiquei ao mesmo triste e feliz ao assistir. Triste porque um disléxico é fonte de muito pré-conceito, no geral não entendem que é uma disfunção, acham que é 'burrice em excesso'. E feliz por ver o quão longe muitos disléxicos chegaram, mesmo com sua limitação.
   O documentário chama-se: VIAGEM DENTRO DA DISLEXIA. Dentre inúmeros personagens, dois me chamaram bastante atenção, peço perdão mas não me lembro de seus nomes. Um, praticamente analfabeto, não sabe ler, então ele inventou uma espécie de máquina fotográfica. Quando ele precisa de alguma informação, ele posiciona sua máquina em cima do texto que precisa 'ler' e ela copia e "fala" o texto pra ele. Achei fantástica a invenção, agora ele quer fazer seu invento em grande escala. O outro, também praticamente analfabeto, não se encaixava no perfil dos colégios regulares, até que descobriu as aulas de laboratório. Gente foi a sua libertação. Á partir daí ele começou a inventar as coisas, foi longe nos seus inventos, e hoje ele é um mega empreendedor.
   Mas quem mais me chamou a atenção foi Willard Wigan. Ele é totalmente disléxico. Como todos, encontrou muitas dificuldades nas escolas regulares. Um certo dia, ele e seus colegas de classe fizeram um trabalho de laboratório, e o microscópio era o instrumento a ser usado. Acabo o trabalho, me parece que o final foi surpreendente. O professor queria saber quem tinha feito o trabalho, perguntando a todos do grupo quem era o autor. Ele perguntou a um por um, e quando chegou a vez de Willard disse que este não tinha cérebro pra microscopio. Palavras do próprio Willard no documentário. # indignada. Mas como o mundo é pequeno e dá muitas voltas, conheçam abaixo um pouco de Willard:





  Willard Wigan   é um artista inglês fascinado por nanotecnologia que faz microesculturas que cabem no buraco de uma agulha ou na cabeça de um alfinete. De fato são tão pequenas que para poder as apreciar em detalhe é necessário usar um microscópio. Ele começou a fazer esculturas a tenra idade de 5 anos e a parti daí só foi melhorando e diminuindo-as. Tanto que recebeu o título de membro da Ordem Imperial Britanica  das mãos do próprio príncipe Charles por serviços prestados a arte.


A arte é esculpida em grãos de areia, poeira, nylon, ouro e até teia de aranha e demora, em média, aproximadamente 8 semanas para ser terminada. Suas esculturas podem ser compradas diretamente no seu site , mas não vá pensando que são baratas. Na verdade as obras tem preço inversamente proporcional ao seu tamanho, tanto porque são personalizados e limitados já que muito possivelmente serão únicas pois a arte de Wigan é única.

   Abaixo, se maravilhem, assim como eu, das obras de Willard:







(só pra comparar, ao lado é a cabeça de uma mosca)



   Pra mim, todas as esculturas são fantásticas, mas olhem essa de Charles Chaplin na ponta de um cílios:




   Bem... eu fiz esse post, não com intenção de parecer perita no assunto.É que é um "problema" tão mais frequente do que a gente imagina. E muito mais ignorado do que a gente pensa.
   Se você é professor, atente ao seus alunos. As vezes uma parente má vontade é um coisa séria. Mas também, não vamos alardear, porque os sem vontade de aprender estão "as pencas" por aí também.
   Espero que tenham gostado do post.
   Beijos!











7 comentários:

  1. Parabéns pelo post. Fiquei fascinada por essas esculturas, que perfeitas!
    bjs

    Joyce
    entrepaginasesonhos.blogspot.com.br

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  2. Muito bom o post amiga, é sempre bom agente ficar atenta a essas coisas, e aprender nunca é demais não é verdade...

    beijos
    http://dailyofbooks.blogspot.com.br/

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  3. Gostei do post. Bem informativo.
    Sempre fico feliz ao ver que existem disléxicos que conseguem fazer várias coisas. Conheço disléxicos que viraram atores, decoram textos e tudo mais.

    Beijos,

    Carissa
    http://artearoundtheworld.blogspot.com

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  4. Eu tenho alguns alunos com dislexia, e sei o quanto é complicado lidar com a situação. Muitos pais não tem ideia do problema de seus filhos, e isso acaba por levar a outros problemas, como maus tratos, surras, assédio moral... Adorei o post Eykler. Demonstra a sua preocupação com questões mais profundas. É bom para vc, para nós e para os próximos seguidores que chegarem. BJS!

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  5. Oi linda, adorei o seu post. Um assunto muito interessante e que poucos param para pensar. Se não estou enganada o ator Tom Cruise, tem este problema e mesmo assim consegue decorar seus textos e atuar muito bem. vlw pela ótima informação. Bjus
    Lia Christo
    www.docesletras.com.br

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  6. Tema que merece atenção e muito cuidado. A dilesxia parace não ser série, mas pode tirar uma criança do mundo das letras.

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  7. Oi!! Parabéns pelo post e pela iniciativa de falar de um assunto tão importante.
    eu nem consigo me imaginar não podendo ou não conseguindo ler.
    Agora vou ser sincera o que mais amei neste post foram as imagens das esculturas. o que é aquilo??? Linda, perfeitas e minusculas. AMEI!!
    bjs

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