14.12.12

Cresci, e agora? Jariane Riberio



























Fim de semana rural: Diário de Karolayne

Tinha tudo para ser um final de semana perfeito se não fossem por apenas duas coisas: Alan e Patrick.
Sexta feira levantei feliz e animada (com aquela cara de panda porque dormi de rímel), pronta para passar um ótimo final de semana na fazenda com direito a cavalgada, trilha e piscina.
Desci as escadas que levavam a cozinha alegre e saltitante, no último degrau tropecei e cai em cima de Patrick, ou será que foi Alan? Bem isso não é importante (tirando o palavrão que ele falou). Nem esse pequeno acidente estragaria meu bom humor.
- Mãe, é hoje que vou passar o final de semana com Ângela, se lembra né?
Minha mãe levantou a cabeça e trocou um olhar com minha avó.
- Você só vai se seus irmãos também forem.
- O que!?- gritei olhando com cara feia para a dupla de toupeiras que desfilava de cuecas de bichinho pela cozinha sem o mínimo pudor.
Também devo ressaltar que nem me ajoelhar aos pés de minha insensível mãe removeu esta ideia da cabeça dela. Pelo menos tenho a quem culpar. Cristóvão.
Você deve estar se perguntando quem é esta criatura, pois lhe respondo. É o FICANTE da minha vó. Isso mesmo até minha avó tem namorado!
Como Cristóvão e ela iriam fazer uma viagem em sua nova motocicleta, e minha mãe iria trabalhar, não sobrou outra alternativa a não ser a dupla de sem cérebros irem comigo para a fazenda.
O estresse já começou no carro com eles querendo paquerar Ângela. O pior foi que ela gostou e chegou a piscar para Patrick pelo espelho. Tive que lembrá-la que ele tinha quinze anos o que provocou as gargalhadas de Alan que estava emburrado por ter perdido de Patrick.
Estávamos quase chegando quando Alan pediu que parássemos no posto porque ele precisava usar o banheiro. Nojo a parte, acabamos almoçando por lá mesmo. A única coisa ruim foi um cheiro horrível que não sabia dizer se era de desinfetante de banheiro ou algum perfume barato.
Ângela era nossa motorista, portanto mandava no carro. Decidiu que Patrick iria a seu lado no banco da frente. Tive que me sentar ao lado de Alan atrás. O que não foi nada agradável porque aquele cheiro horrível continuava.
- Credo Alan!- exclamei abrindo o vidro – Faz quantos anos que não toma banho? E esse cheiro de gambá morto? Não sei é seu o desse seu All Star do século passado.
- Cala a boca Karolayne! – disse o fedido – você não entende de nada mesmo não é? Esse cheiro não é de gambá, mas sim do meu novo perfume que faz desenvolver paixão instantânea nas minas.
- O que? – perguntei já rindo, com Ângela e Patrick, de mais uma trapalhada de meu irmão.
- Isso mesmo Karolayne, com esse perfume não tem gata que não se apaixone pelo Alanzinho aqui. – olhou para Ângela e lhe mandou um beijo.
- Olha acho que esse teu perfume vai é espantar as gatas, porque fede mais que banheiro público.
Ele me olhou emburrado e ficou o resto da viagem quieto. Quando chegamos à fazenda todos queriam descansar. Ficou decidido que no outro dia iríamos aproveitar para ir a um baile na cidadezinha mais próxima.
A confusão já começou cedo quando Patrick expulsou Alan do quarto porque não agüentava mais o cheiro do bendito perfume da paixão.
Devo confessar que nem eu agüentava ficar perto do garoto que já estava irritado com todo mundo o mandando tomar banho.
- Mais que saco! – gritou irritado – já tomei dois banhos e esse cheiro não sai!
Comecei a rir e ele me jogou uma cueca suja na cabeça. Sai correndo atrás dele e só parei porque o cara que estava limpando a piscina era muito gato e eu fiquei envergonhada.
Foi nesse momento que decidi que iria passar o dia na piscina. Estava decidida a conquistar o bonitão que limpava a piscina. Coloquei meu biquíni de bolinhas e meus óculos azul claro em formato de coração. Joguei as madeixas para o lado fazendo charme e me deitei na esteira com uma revista na mão.
Sorri para o garoto e já ia perguntar seu nome quando vi Alan vindo irritado para o meu lado.
- O que é agora, Alan? – perguntei já irritada pelo cheiro do garoto que não era dos mais agradáveis.
Ele passou a mão pelo moicano e me olhou com aquela cara de cachorro sem dono que está acostumado a fazer quando quer alguma coisa.
- Você bem que podia falar para Ângela que eu sou bem mais interessante que o Patrick não é karolayne?
- Eu não vou falar nada, ainda mais com esse seu cheiro de banheiro público. – Disse rindo.
- Ah, é assim então, pois já que eu não fico com Ângela você também não fica com o marombado ali.
- O que?
- É isso mesmo! – gritou ficando de pé – Karolayne nenhum garoto fica com quem tem 18 anos e ainda é B.V, tá!?
Senti o rosto esquentar. O garoto da piscina parou de varrer as folhas e me olhou rindo.
- Eu não sou B.V não garoto – revidei tentando recuperar minha dignidade na frente do meu futuro paquera.
- Claro que é! Li no seu diário ontem mesmo, cheguei até a decorar o parágrifo.
- Que parágrifo o que seu analfabeto. Eu nem sou B.V nada! Mais deixa a Ângela vai gostar de saber que você ande de cueca de coraçãozinho pela cozinha de manhã cedo e que no ano passado fez xixi na cama depois de ver atividade paranormal.
Sabia que tinha pegado pesado mais precisava mostrar quem é que mandava ali. Onde já se viu falar em alto e bom som e para quem quer ouvir sobre minhas particularidades?
- Isso vai ter volta Karolayne!- gritou vermelho ate a raiz dos cabelos porque Ângela tinha ouvido tudo- saiu correndo e só o vi a noite todo arrumado e com aquele cheiro horrível ainda mais forte na hora de ir ao baile.
O baile acabou sendo horrível porque tive que ficar sozinha. Alan não falava comigo e acabou achando uma garota corajosa o suficiente para ficar com ele. O nome dela é Susy e é irmã do gostosão da piscina. E por falar nele, o idiota estava com seus amigos caipiras que ficaram rindo da minha cara por eu ser B.V um até disse que se eu lhe pagasse um suco me ensinaria a beijar muito bem. Sai batendo os pés e ia falar com Ângela mais ela estava muito ocupada se agarrando com Patrick num beijão daqueles, se é que me entende. Já estava até com vontade de mandar eles procurarem um lugar reservado, que pelo amor de Deus, né? Ninguém precisava saber que minha melhor amiga estava pegando meu irmão mais novo ( Patrick nasceu cinco minutos depois de Alan o que pode ser uma das causas para o tamanho despeito que o garoto está sentindo).
 Resultado: voltei para o carro e acabei dormindo por lá mesmo já que os festeiros só resolveram ir embora as sete da manhã, para meu eterno desgosto. Alan estava radiante com sua nova conquista e deixou bem claro que seu perfume era mágico já que a Suzinha era uma Deusa da roça.
Almocei com aquela minha típica cara de revoltada. Ângela até que tentou falar comigo dizendo que Patrick era muito atraente, que era para eu tentar entender que o que tava rolando com eles era natural que eu não precisava ficar enciumada. Até parece eu com ciúmes do meu irmão que até ontem eu dava mingau de aveia na boca e fazia aquela meleca que todo mundo achava lindo (inclusive eu, mas isso ninguém precisa saber).
Devido ao meu humor maravilhoso os três resolveram que já estava na hora de voltar para casa. Aplaudi a ideia enquanto gritava para Ângela nunca mais me convidar para vir a sua fazenda novamente ao que ela respondeu que a fazenda não era dela, mas sim de seus pais. Joguei minha mochila nas costas e me joguei no banco de trás ao lado de meu irmão fedido, porém feliz por ter encontrado alguém com quem trocar saliva durante a noite.
A viagem foi em silêncio até o posto onde encontramos minha avó e Cristóvão que gentilmente me disse que eu estava com uma cara de quem comeu e não gostou.
Não agüentava mais. Minha heroína percebeu e veio falar comigo:
- Não fique assim Karolayne - falou vovó – nem todos os finais de semana são perfeitos, mas sempre tiramos alguma lição deles.
Não respondi a única lição que aprendi com meu final de semana foi a que viajar com seus irmãos e sua melhor amiga com os hormônios a flor da pele é algo muito, mas muito ruim.
- Para você ficar mais alegre e ter uma boa lembrança deste final de semana vai voltar para casa de moto comigo assim conversamos e você joga este seu mal humor fora.
Olhei para ela e sorri. É difícil imaginar sua avó de 64 anos dirigindo uma moto.
- Tudo bem vó, nada mais de pior pode acontecer mesmo.- a abracei e fomos at]é a moto assim.
Cristóvão foi ao lado de Alan no carro e para minha grande surpresa reconheceu o perfume do garoto e ate mostrou o seu que foi feito de chifre de veado assim como o dele.
Com uma careta de nojo ele jogou o dele no lixo e acenou para mim como se no dia anterior não tivesse gritado para quem quisesse ouvir que eu não tinha beijado.
Subi na moto atrás de vovó e coloquei o capacete a abraçando e rindo quando ela acelerou e começou a cantar boate azul.
- Ainda não acredito que você não ficou com nenhum garoto Karolayne! – disse ela depois da primeira curva.
Fiquei quieta e pensei que nem tudo era perfeito mesmo. A até me conformei de a vida amorosa da minha avó ser mais movimentada que a minha.








6 comentários:

  1. Já adoro os irmãos dela! Se parecem bem com os meus! ahauhaua
    Louca pela continuação.

    bjus

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  2. Que coisa mais fofa... Aguardando os próximos capítulos... BJS!

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  3. Texto bem adolescente, mas gostosinho de ler. Valeu!!!

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  4. Gente, que gracinha esse texto!!
    Quero mais!

    Bjs

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  5. Adorei o texto, muito fofinho... Parabéns pela nova coluna. Bjus
    Lia Christo
    www.docesletras.com.br

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