2.1.13

Karolyne na balada, Parte 1 - Jariane Ribeiro






Apesar de ter ficado com um ódio mortal de Ângela por ela estar de rolo com meu irmão na semana seguinte já estávamos mais unidas que unha e cutícula (que por falar nisso as minhas estão horríveis).
Para comemorar nossa reconciliação resolvemos ir para nossa primeira balada. Depois de muitos gritos e pulinhos alegres começamos a combinar as roupas que usaríamos. Decidi que usaria uma sandália megafashion da minha mãe com um vestidinho curtíssimo que ganhei uns três anos atrás antes de eu crescer uns cinco centímetros.
Estávamos nessa animação toda quando a dupla de toupeiras invade meu quarto com uma lata de brigadeiro e colher na mão além de Patrick estar com os cabos do DVD enrolado no pescoço o controle na boca e Alan com o aparelho e o doce.
- O que vocês querem aqui?- perguntei com meu bom humor de sempre.
- Viemos ver filme em família. Karolayne ranzinza, respondeu. Patrick beijando Ângela, que pareceu se derreter com o maluco de moicano.
- Mas eu não gosto de ver filme em família- falei ainda mal humorada.
- Ai Karolayne, deixa de ser chata. O que é que custa a gente ver filme com eles? Não estamos fazendo nada mesmo – Ângela falou isso se enroscando com Patrick no pufe azul, que ficava ao lado de minha escrivaninha.
- Como não estávamos fazendo nada? E nossa balada amanhã?
Patrick e Alan se olharam e se levantaram juntos. Patrick quase derrubando Ângela.
- Como assim vão para a balada? – disseram juntos
- Indo né! - respondi olhando para Ângela em busca de apoio.
- Que legal Anjinha. Pensei que a gente tivesse um lance – Patrick a olhou com uma cara de limão chupado.
- Patrick, não é porque eu fiquei com você semana passada que a gente vai ter um lance. Se liga gatinho não quero nada sério com ninguém. – Fiquei com dó do meu irmão. Depois de um esculacho desses eu me esconderia embaixo da cama e não sairia mais de lá.
 - Já que é assim gata, não precisa mais ficar me alugando no MSN. Porque ontem você tava toda empolgadinha falando comigo na web can.
- Como- é- que- é? – Fala eu e Alan juntos.
- Nada que interesse a vocês dois seus curiosos! – nesse momento Ângela também já esta com cara de limão chupado.
- Não esta mais aqui quem falou.
- Ah, mais eu ainda to aqui e quero saber bem direitinho essa história de web can dona Ângela – reconheço que parecia minha mãe falando.
- Deixa quieto Karolayne, eu não quero mais nada com essa sua amiguinha enganadora de garotos fofamente românticos.
Eu e Alan começamos a rir e não conseguíamos mais parar. depois eles nos olharam de cara feia e  nós preferimos sair estrategicamente pela esquerda levando com a gente o DVD e a lata de brigadeiro onde ficamos vendo filme até o casal fofamente romântico voltar do meu quarto se agarrando escada abaixo duas horas depois. Eu e Alan não desviávamos o olho da TV com medo de cairmos na gargalhada novamente e acabarmos chegando ao fim da noite com um olho roxo.
Após muitos beijos (agarramento) Ângela foi para casa falando que no dia seguinte viria mais cedo porque à noite iríamos para a balada em uma boate nova super recomendada pelo pessoal do facebook.
Aproveitando que dona Rosemary (minha mãe) não estava em casa fui até seu closet e peguei suas roupas e sapatos mais bonitos de noite.
Com os braços carregados joguei tudo em cima da escrivaninha e sai fechando a porta para que minha mãe não percebesse o assalto.
Fiquei até tarde na internet rindo como uma boba em frente ao notebook de como os garotos são idiotas, tem uma necessidade enorme de saber se a garota tem ou não experiência acredito que por medo de o ex ser melhor que ele.
Ângela almoçou aqui em casa. Logo depois da sobremesa fomos para meu quarto para nos prepararmos para a grande noite.
- Vê se fica com alguém, né, karolayne- disse enquanto colocava dois pepinos sobre os olhos e deitava no felpudo tapete rosa de meu quarto.
- Fico se eu quiser, não vou sair por ai beijando qualquer um. Retorqui irritada.
- Nossa! Não está mais aqui quem falou, só acho que você deveria parar de ficar sonhando a toa e aproveitar mais a vida.
- Eu aproveito muito bem minha vida, e não preciso sair por ai “pegando” todo mundo.
- Ok Karolayne, vamos parar por aqui antes que a gente comece a brigar.
Não respondi e fui ate meu banheiro e coloquei a prancha para esquentar. Depois peguei minhas maquiagens e voltei para o quarto onde muito concentrada comecei a ler os rótulos.
- Não vai mais falar comigo Karolayne?- perguntou Ângela se sentando e comendo os pepinos que minutos antes estavam sobre seus olhos eca!
- Vou continuar falando com você mais no momento estou ocupada lendo isso aqui- apontei o dedo para o pó facial super caro que tinha ganhado de aniversário de dezoito anos de minha tia Patrice que estava estudando moda na França.
- Pelo que eu saiba esse pó é importado portando não está escrito em português e você não deve entender nada do que esta escrito.
- Tudo bem – joguei o pó na maleta e me deitei ao seu lado no tapete- o que vamos fazer no cabelo?
- Chapinha é óbvio né? Com essas crinas de Bombril é a única coisa que dá para fazer quando o rolo da prefeitura não está disponível.
Comecei a rir, quando de repente senti um cheiro horrível de queimado.
- Ta pegando fogo no banheiro! – gritou Ângela correndo para fora do quarto me deixando apavorada sem conseguir me levantar do tapete.
- Socorro! – gritei sem conseguir me mexer
Patrick entrou correndo com Alan atrás que foi para meu lado me levantando.
- Quem deixou a chapinha ligada?
Patrick estava com o que sobrou de minha prancha enrolada na minha toalha da Minnie.
- Fui eu – respondi ainda tremendo.
- Parabéns Karolayne quase incendiou a casa.
Alan saiu do meu lado e foi para a porta rindo de se acabar.
- Pode voltar Ângela o incêndio foi controlado agora pode se agarrar com o Patrick por ele ter sido seu herói.
Apesar do nervosismo ri também quando Ângela apareceu com os cabelos todo bagunçado e com a cara de quem tinha sobrevivido a um terremoto.
Após este pequeno incidente em que meu quarto ficou com um cheiro horrível percebemos que estava faltando apenas duas horas para sairmos. Expulsamos meus irmãos do quarto e fomos nos arrumar.
Ângela trouxe sua roupa de casa e quando vestiu fiquei de boca aberta. Seu vestido era tão curto que mais parecia uma camiseta.
- Você vai com esse vestido? – perguntei enquanto vestia a sai de cintura alta preta de minha mãe com uma regata branca e um colar de pérolas paraguaias que de minha avó.
- Claro né gata, o que é bonito te de ser mostrado.
A encarei e fui em busca do sapato perfeito que deveria estar submerso embaixo das roupas de grife da minha mãe.
Encontrei a sandália perfeita de minha mãe e me olhei no espelho gostando do que via.
- Sabe karolayne – disse Ângela calçando a sandália de salto fino prata que a deixava parecendo uma vara de cutucar estrela – não adianta de nada nossas roupas estarem perfeitas se nossos cabelos estão horríveis.
Olhei para meu cabelo e percebi que ele estava muito parecido com um brócolis.
- Sabe amiga – disse fazendo um coque- agora que a prancha explodiu, só sobrou o ferro de passar para alisarmos nossos cabelos.
Ângela começou a roer a unha do polegar e sorriu.
- Você é um gênio gata! O ferro de passar vai deixar nossas madeixas perfeitas!
A olhei apavorada, Ângela às vezes tinha cada ideia que só por deus mesmo.
Não adiantou de nada os meus protestos dizendo que o ferro era novo e, portanto a temperatura deveria de ser bem maior que a prancha barata que eu havia comprado em uma promoção de fechamento de estoque em um bazar que vende coisas do Paraguai na esquina.
Quando dei por mim estava com a cabeça em cima do negócio de passar roupa com uma toalha no rosto e Ângela estava literalmente passando meu cabelo.
- Viu karolayne!- exclamou animada – seu cabelo não está mais igual a um Bombril mais sim liso igual a um quiabo.
 Trinquei os dentes com raiva. Como é que eu conseguia me meter nessas enrascadas?
Quando Ângela terminou meu cabelo me olhei no espelho assustada e para minha surpresa meu cabelo estava lindo! Bem melhor do que a prancha.
Depois de ficar uma hora fazendo o cabelo de Ângela finalmente estávamos prontas, demos um último retoque na maquiagem e pegamos um taxi na esquina indo animadas rumo a nova boate super badalada da cidade.

 P.S: não tentem alisar seus cabelos com ferro de passar roupa além de ser arriscado você corre um sério risco de levar uma bronca de sua mãe por colocar seu belo rostinho em risco.
A continuação dessa aventura é na próxima semana.
Beijinhos.














Um comentário:

  1. nossa a história esta se revelando maravilhosa.
    Karolayne é uma ótima protagonista que tem suas loucuras com pitadas de humor seguida de perto pela amiga mais pirada ainda com a ajuda dos irmãos gemeos. Já amo a série beijos e parabéns

    ResponderExcluir