31.1.13

Meu, não tão pequeno, ato de vingança









Estou sem falar com Ângela. Simplesmente a ignoro quando ela vem aqui em casa para ficar se agarrando com o Patrick. Não adiantou de nada eu falar para ele Já estou há duas semanas falando que ela tinha ficado com outro na balada. O sonso do garoto fez questão de ressaltar que eles tinham um relacionamento aberto. Que assim como ele podia ficar com outras “minas” ela também poderia ficar com outros “manés”.
Sinceramente eu não entendo essa era moderna na qual fidelidade se tornou artigo de luxo. Também não entendo como passei tanto tempo sendo amiga de alguém que só sabe avacalhar comigo, sim porque Ângela acaba sempre me deixando na mão. Seja na fazenda ou na boate quando aplaudiu meu insano primeiro beijo com Henrique.  Aquele dia foi à gota que faltava para o meu balde de plástico rosa que simboliza minha paciência com ela transbordar. Ângela se alegra com a ideia de me fazer pagar mico.


Beijei Henrique na sexta feira e no sábado a galera toda do Facebook já sabia do ocorrido inclusive que eu era b.v. Henrique aquele ser patético com o qual troquei saliva empolgada por ter tomado cerveja insiste em me mandar mensagem e deixar recadinhos em minha página na internet.
As únicas pessoas com quem concordo falar é minha avó e Alan. Nem com minha mãe estou falando já que ela deu um chilique ao descobrir que eu usei suas roupas de grife compradas com muito esforço e trabalho ao que eu respondi que dar ordem e gritar com o assistente pode não ser considerado esforço. Sei que pedi para ela me ignorar. Mais pense bem, eu estava decepcionada comigo mesma por ter destruído meus sonhos românticos, alem de ter me decepcionado mais uma vez com minha melhor amiga.
Vovó insiste em dizer que não deveria me arrepender de ter beijado Henrique já que eu sou jovem e estou na fase de experimentar. Ela veio com uma história de que antes de se casar com meu avo acabou experimentando os vizinhos para ter certeza de que estava fazendo a escolha certa. Com esta afirmação acabei por descobrir que minha avó era uma piriguete do século vinte.
Alan se ofereceu para dar uma surra em Henrique o que achei fofo já que é dever dos irmãos defender as irmãs quando algum cafajeste destrói o pobre coração sonhador delas. Mais apelei para o meu bom sendo – que se manifesta de vez em quando – e lhe disse para não sair socando as pessoas a cada vez que elas fizerem algo de ruim também lhe disse que Henrique não me forçou a beijá-lo mais sim que eu já empolgada tinha o puxado para perto de mim e ele acreditou ser o sinal para me puxar pela cintura e colar sua boca na minha assim desperdiçando meu sonho romântico de beijar alguém em uma tempestade na qual eu acabaria ficando sem guarda chuva e ai viria meu príncipe e me salvaria de pegar uma pneumonia e morrer.como agradecimento eu o beijaria de forma dramática iniciando assim o primeiro passo para dali a uns dez anos nos casarmos com toda a pompa que meus sonhos exigiriam.  Meu irmão me aconselhou a procurar ajuda e saiu revoltado para seu quarto de onde voltou mais revoltado por encontrar Ângela e Patrick de agarrando. Não sou a única a querer matar ela já que Alan me disse que se ela não parar de fazer isso alem de aprontar com ela vai se mudar para a sala onde vai ter a sua disposição a bela televisão de plasma que minha mãe ganhou no trabalho onde grita demais com seu assistente.
Enquanto escrevo isso ouço a risada irritante de Ângela no quarto ao lado. Apesar de eu me recusar a falar com ela a desinibida não tem vergonha na cara e continua vindo aqui em casa, porém sou uma pessoa com muitíssima educação e não me rebaixarei ao nível de piriguete suburbana que acabou de terminar o ensino médio e acha incrível sair pegando geral já que não tem mais o quarteto de fofoqueiras para comentar sobre sua vida na segunda feira.
Ao me lembrar do quarteto de fofoqueiras me lembrei que elas têm pagina na internet inclusive com este nome, minha vingança para com minha ex-melhor amiga será falar para Brenda, Bruna, Julia e Vanessa que após o termino das aulas Ângela pirou se achando a adulta e esta pegando geral até na casa da ex - melhor amiga, alem do mais vou fazer isso agora porque a internet esta muito legal hoje.
Tudo bem o que eu fiz foi horrível eu sei mais ela super que mereceu. Foi empolgante ver Brenda batendo palmas quando relatei via skype que Ângela havia pirado e pegado meu irmão mais novo Patrick. Logo em seguida as três fofoqueiras chegaram a casa de Brenda que relatou mais exageradamente o caso da piriguetia tardia de minha ex - melhor amiga.
No instante em que a noticia saiu na página “o quarteto da fofoca” me arrependi de meu pequeno ato de maldade. Ninguém merecia ter seu nome nas línguas venenosas daquelas vacas, que por sinal deveriam trabalhar para o FBI já que conseguiram uma foto da boate em que fomos a quinze dias à qual aparece Ângela com cara de bêbada agarrada naquele garoto que nem lembro o nome e que tinha um amigo que tinha dado em cima de mim e que logo em seguida se retirou porque Henrique- que atualmente ainda me incomoda- apareceu.
Ouvi o gritinho de Ângela vindo do quarto de Patrick e fechei o notebook o escondendo embaixo de minha almofada tigresa que ficava no sofá da sala. Em seguida ouvi passos na escada e me fingindo de muito tranquila comecei a rir vendo o programa do Rodrigo Faro.
- Isso não pode estar acontecendo! – grita numa voz esganiçada de galinha sura quando está prestes a ir para a panela – Como elas descobriram isso. Espera ai tem o nome de quem lhes falou isso.
Tapei a boca com a mão para abafar um grito. Como assim elas tinham colocado o nome de quem tinha lhes dado a notícia?  O tiro acabou saindo pela culatra e num ato de desespero sai correndo da sala e me escondi atrás da cadeira de balanço na qual vovó estava sentada fazendo crochê.
- O que está fazendo ai menina?- indaga deixando de lado sua toalha e me encarado com os óculos meia lua com aros dourados na ponta de seu nariz arrebitado como o de narizinho.
  - Fiz algo muito ruim vó – sussurro me encolhendo e batendo as costas no bujão de gás - por isso para minha própria saúde é melhor a senhora falar que eu sou uma menina completamente inocente que neste exato momento está lhe fazendo um grande favor. Foi até a china lhe comprar rolinhos primavera antes que a senhora ficasse doente de tanto desejo.
Minha avó começa a rir e volta a seu trabalho fazendo de conta que eu não me encontro ali. Suspirando aliviada retiro meu all star já bastante velhos e os jogo atrás do fogão. Os minutos vão passando e quando já estou acreditando ter me escondido a toa ouço vozes agitadas vindo em direção a minha fortaleza.
- Onde está karolayne dona Hortência – pergunta Ângela olhando em volta. Tranco a respiração e rezo pedindo para quem quer que esteja lá em cima me proteger e me camuflar para que a moça irritadinha com cara de boi bandido não descubra meu esconderijo ultrassecreto e nada seguro.
- Não sei querida - diz minha heroína de setenta e cinco anos e meu exemplo de como não se apegar a ninguém que não seja tão bonito quanto Ian Somerhalder, ou melhor, Amado Batista foi o que ela me disse mais como o Ian é meu sonho de consumo passei o conselho a minha versão – mais achei que vocês estivessem brigadas.
- E estamos – diz secamente a vara de cutucar estrelas que ate pouco tempo era minha companheira – tão cedo não quero voltar a falar com aquela traidorazinha ingrata.
Como assim ingrata? Ela nunca fez nada para meu bem estar já eu não posso dizer o mesmo já que ela vivia no fundo do poço por causa do namorado de sua irmã por quem é perdidamente apaixonada. Ops! Que isso fique entre nós já que não tinha o direito de revelar este segredo. 
- O que ela fez de tão grave? – pergunta minha avó muito interessando em fuxicar da vida alheia.
- Ela simplesmente colocou na internet que agora eu sou uma piriguete desgovernada em busca de apoio emocional já que tenho o coração tão vazio a ponto de ter que sair pegando todo mundo para preencher esta enorme lacuna que me sufoca.
Congelei. Eu não tinha falado nada disso para o quarteto de cobras. Simplesmente comentei como quem não quer nada que ela andava piriguetiando sem rumo por ai. To bom! Eu falei que tudo isso mesmo. Mais naquele momento eu estava cega pelo fato de ela ter aplaudido meu beijo com Henrique sabendo de todos os meus sonhos.
- Não acredito! – a doce velhinha que sempre me defendeu se levanta da cadeira e me puxa pela minha camiseta novinha do Bob Esponja – Karolayne Lacaster não me diga que você fez algo tão horrível quanto denegrir a imagem de alguém?
 Baixando a cabeça e evitando olhar para Ângela encaro meus pés já muito envergonhada de meu não tão pequeno ato de maldade.
- Você não era assim Karol – a tristeza estampada no rosto de minha vó fez o meu também doer. Ainda mais quando ela me chamou de Karol o nome que ela diz ter sido meu pai a escolher antes de num surto de pressão por ter uma vida dependendo de ele fugir – Nem eu nem sua mãe lhe ensinamos a expor as pessoas ainda mais aquelas por quais temos sentimentos. Ou você se esqueceu que tanto você quanto Ângela se criaram juntas aqui neste prédio deixando meus cabelos brancos antes da hora de tanto aprontarem.
A vergonha era tanta que meus olhos arderam ao encherem de lágrimas. A culpa pesou em meu coração, tinha esquecido o quanto eu e Ângela éramos unidas antes de todo esse rolo dela e do Patrick. Também tinha esquecido que ficar com meu irmão era uma forma de ela sufocar o sentimento que nutria por Bernardo namorado de sua irmã só um ano mais velha que ela, Bernardo havia ficado com Ângela, mais daí conheceu Sara e logo em seguida eles começaram a namorar o que partiu o coração dela.
- Me perdoem – falo com voz embargada – eu estava fora de mim quando fiz isso eu não tinha pensado nas conseqüências. Eu estava brava com Ângela, acho que meio que a culpando pelo que aconteceu e acabei fazendo essa besteira.
- Para mim você não tem que pedir desculpas mocinha mais sim para sua amiga que além de ser exposta está magoada com sua atitude. – pegando seu crochê ela saiu da cozinha nos deixando sozinhas de frente uma para outra,
- Sabe karolayne não me magoou ver a notícia na internet o que me magoou foi saber que minha melhor amiga tinha feito àquilo comigo. Poxa karolayne você sabe que eu tento esquecer Bernardo de todas as maneiras que acredito ser possível para não magoar sara. Era só você ter me falado que eu estava agindo como uma vadia não precisava ter feito isso. Todos os dias venho aqui e procuro me acertar com você mais você não me olha. Sei que está triste por ter beijado Henrique, mais isso não foi tão ruim ele é lindo e você gosta dele e não adianta negar porque eu sei. Você tem sorte por seu primeiro beijo não ter sido com o namorado da sua irmã.
Ela também estava chorando. Não protestei quando ela falou que eu gostava de Henrique porque no fundo eu já sabia disso já que apesar de ter ignorado ele não parava de pensar no beijo. Naquele maldito primeiro beijo que estava envolto em muitas expectativas.
- Desculpa Ângela – fiz uma cara de cachorro sem dono encolhendo os ombros – eu não pensei antes de agir. Me perdoa esmo eu te amo sua pereba.
Ela começou a rir e me olhou com aquele olhar travesso e me apontou a unha pintada de rosa Pink:
- Esta é a última vez que eu te perdôo por você me virar à cara karolayne e a próxima vez que você fazer isso eu juro que vou te bater com aquela cinta horrorosa de camelo que você acha linda.
Comecei a rir também e nos abraçando selando a velha e tão antiga amizade. Como a gente deixa a raiva nos levar quando estamos tristes não é?
- Agora karolayne você vai me contar tudo sobre seu beijo com o gato do Henrique e juntas nós vamos mandar um torpedo muito meloso combinando para vocês irem ao cinema já que você tem que aproveitar o garoto antes de vocês irem para a faculdade.
- Nós vamos para a mesma faculdade ele também vai fazer jornalismo.
- ótimo karolayne – ela bateu palma feliz enquanto subimos para meu quarto e nos jogávamos no tapete felpudo rosa – assim quem sabe você vive seu tão sonhado conto de fadas.

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