20.2.13

Misunderstood... - Jariane Ribeiro








O som em cima de minha escrivaninha está ligado no último volume e eu estou pulando pelo quarto ao som de Bon Jovi cantando misunderstood, devo admitir que minha voz não é das melhores, porém minha empolgação é tanta que eu realmente não estou nem ai, você deve estar se perguntando o motivo de tanta agitação e a única coisa que posso responder é que ele tem nome e sobrenome:
Henrique Montefiory... Ele me ligou esta manhã me chamando para um piquenique na praia, e eu o respondi com um glorioso e empolgado SIM!
Enquanto pulava feliz pelo quarto liguei o som em minha música preferida ignorando Alan gritando para eu escutar hardcore que era muito mais empolgante.
Liguei para Ângela e apesar de sua tristeza – Bernardo estava lá empoleirado com Sara no sofá da sala monopolizando a TV – ela resolveu subir os três lances de escada – o elevador está estragado de novo! – para me ajudar na produção.

- Por favor – ergue as mãos ao entrar em meu quarto – aumenta esse som que essa música é fabulosa, esplendida e chega que eu estou sem criatividade.
- Vou aumentar – sorrio feito uma boba.
Aumento o volume e minha avó que estava passando pelo corredor com seu vestido floral coloca a cabeça no vão da porta:
- É a música daquele cara bonitão? – pergunta.
- Aham – respondem eu e Ângela juntas.
- Aumenta o volume no máximo para eu escutar do meu quarto garota!
Riu enquanto coloco o som no volume máximo voltando à música no começo pela quinta vez, vovó fecha a porta e eu me jogo na cama.
- Você está nas nuvens não é? – minha amiga se estira no tapete olhando o teto com um olhar triste.
- Estou – afirmo me sentindo culpada por ela estar triste – mais se você não quiser ficar...
- Pára ta! – me olha com cara de mal – eu vou te ajudar que horas ele vem te buscar?
- As quatro – olho o relógio vendo que já são duas horas.
- Então borá! Partiu produção! – me puxa da cama e abre meu guarda roupa.
- Hum, nada de tênis, acho que um salto alto – murmura decidida tirando uma sandália prata de salto fino nunca usada da caixa.
- Vamos para um piquenique – observo guardando o sapato de volta na caixa e pegando meu all star verde musgo que ganhei de natal de Alan e Patrick.
- Nada de all star! – os joga no guarda roupa – você tem que ser delicada como uma princesa.
Ângela me joga na cadeira e pega a chapinha deixando meu cabelo imaculadamente liso, o preto se tornou mais intenso e contrastou com minha pele branca e olhos cinza, depois ela se ajoelhou na minha frente e me maquiou.
- Perfeita! – bate palmas – agora vamos à roupa.
Ela pega uma saia meio rodada de renda rosa, um cinto dourado com um tope e uma camiseta branca com um coração rosa listrado estampado.
- Vista – ordenou apontando o banheiro.
Vesti e voltei toda desengonçada para o quarto, minha amiga delicada como sempre colocou a barra da camiseta por dentro da saia e arrematou com o cinto.
- Estou orgulhosa! – me vira para o espelho e eu me encanto comigo mesma, minha cintura ficou acentuada e minhas pernas ficaram mais longas, meus cabelos caiam perfeitos ao redor do rosto.
- Toma! – me jogou meu all star rosa desbotado – Henrique sabe muito bem que você não é como uma princesa.
 O tênis combinou com a saia e eu retoquei o gloss feliz por estar com uma roupa confortável, depois ela me acompanhou até a entrada do prédio, nos sentamos no mesmo banco de ferro em que ela havia se debulhado em lágrimas alguns dias atrás.
Iria perguntar como estavam as coisas mais nesse momento Henrique chegou e ela rapidamente se despediu de mim.
- Oi! – ele me olha admirado e eu sou incapaz de reprimir um sorriso – está muito bonita!
- Obrigada – consigo falar normalmente sem gaguejar.
Henrique abre a porta do carona para mim e depois de beijar meu rosto vai para o lugar do motorista, liga o som e ouço a mesma música que  escutei a tarde toda, eu sorriu tirando os cabelos do rosto.
- O que foi? – pergunta ligando o carro.
- Escutei essa música a tarde toda – admito.
- Eu também, comecei a escutar essa música depois daquele dia na boate. Sabe por quê?
- Não – o encaro notando o quanto está bonito, os cabelos castanhos propositalmente bagunçados, os olhos brilhantes, está com uma camiseta branca, colete preto e calças jeans desbotadas.
- Ela quer dizer mal-entendido tem tudo a ver não?
- Aham – concordo me lembrando de meu enfadonho primeiro beijo.
Achei que iríamos a praia, mais ele não foi na direção que eu esperava, quando parou o carro estávamos em um parque arborizado com grama muito verde cercado de árvores com copas gigantescas que tinha um lindo lago com águas cristalinas no meio.
- Não íamos à praia? – pergunto aspirando o ar puro.
- Mudei de ideia – abre a porta do carro e volta aproximando o rosto do meu, sinto meu coração se chocar contra minhas costelas com a proximidade. Henrique sorri e me beija delicadamente – acho este lugar muito mais bonito – completa depois de sorrir ao ver meu rosto vermelho.
Saímos do carro e ele pega uma cesta no porta-malas.
- Já falei que está muito bonita? – estende uma toalha vermelha na grama verde.
- Já – me sento ao seu lado na toalha.
- Mais não custa nada ressaltar – me puxa pela cintura para perto – você está mais que bonita está linda.
- O. Obrigada – gaguejo sentindo um arrepio quando ele encosta os lábios em minha orelha.
- Eu não entendo por que você sempre fica tão vermelha perto de mim – zomba pegando uma mecha de meus cabelos entre os dedos.
- Eu também não – suspiro.
 - E então minha garota de contos de fadas aceita namorar comigo? – pergunta de repente me encarando intensamente.
- Na...Namorar? – pergunto perplexa.
- Sim – seu sorrido aumenta – me ver todos os dias...
- Eu sei o que é namorar- explico gentilmente – eu só não esperava.
- Então isso é um não? – seu sorriso murcha e seus olhos perdem o brilho.
- Não – sinto um impulso que não quero refrear – isso é um grande e enorme Sim!
Henrique me encara de olhos arregalados e eu mesma arregalo meus olhos, desde quando eu era assim tão espalhafatosa? E será que eu gostava o suficiente de Henrique para namorar? Claro que sim, admito para mim mesma, você não pensa em um garoto o dia todo e sai cantando pela casa por que ele te ligou se não sentisse nada.
- Adorei o sim – sorri me beijando.
Eu passo os braços ao redor de seu pescoço com meu coração batendo acelerado em meu peito, me senti como Mia ao ser beijada por Michael e como Bella quando Edward a beijou na volta da campina, tive o mesmo impulso desenfreado e meus dedos se entrelaçaram nos cabelos de Henrique os bagunçando ainda mais.
O resto da tarde passou voando e eu nunca me senti tão feliz em toda minha vida, aquelas preocupações de faculdade e dinheiro simplesmente desapareceram de minha memória, quando você se sente nas nuvens nada pode te trazer de volta para o chão.
O sol começou a se por no horizonte, minha cabeça estava pousado no colo de Henrique e ambos cantarolávamos a musica de Bon Jovi, será que ele estava tão feliz quanto eu?
- Está feliz? – pergunta como se tivesse lido minha mente.
- Muito e você? – minha timidez começava a desaparecer.
- Bastante – beija minha resta.
Me senti como se estivesse dentro de um livro de romance, só faltava as letras garrafais em negrito escrito fim, mais como amor não encha barriga meu final feliz foi adiado até eu trabalhar e me matricular na faculdade, amanhã era o grande dia, rapidamente reprimi este pensando e concentrado em cantarolar misunderstood.




9 comentários:

  1. Que delicia de romance!!! todos os encontros poderiam ser com principes e com finais felzes. Pena que nem sempre é assim.
    bjs

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  2. Adorei.. Nossa eu adoro essa música!!
    Pena que não bem assim na vida real hehe

    beijos mila

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  3. Como adoro contos. Gosto muito de ler, historias assim.
    parabens,
    bjs

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  4. Eu estou adorando esta coluna. Sempre com ótimos textos e este cheio de romance, está uma delícia. Parabéns pelo talento.
    Lia Christo
    www.docesletras.com.br

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  5. Ai que lindo!!!

    Regado a Bon então? Mais que lindo!

    Parabéns!!!

    Lu. Franzin.

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  6. Adorei o conto... lindo de se ler!!!!


    Parabéns,temos aqui uma escritora em formação???

    bjssss

    Bianca

    http://www.apaixonadasporlivros.com.br/

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  7. Cara, essa menina tem talento! Adoro ver a juventude se aventurando assim. Parabéns!
    BJS!

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  8. BON JOVI *-*
    Já curti! ahahahahah

    Tá, não foi apenas o Bon Jovi! O conto está uma graça!

    Bjs

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  9. como venhodizendo nos outros comentários, dentro do gênero que você se propos a escrever, sua escrita está crescendo muito.

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