4.3.13

Entre o Céu e o mar - Robson Gudim (Prólogo)











Olá amigos!!!
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O autor Robson Gudim, gentilemente, nos disponibilizou o prólogo se seu livro.
Posso dizer que já estou lendo o livro e estou gostado muito. J



PRÓLOGO
ENTRE O CÉU E O MAR
(ROBSON GUDIM)
Montes Apuseni, Transilvânia
Os aldeões do condado de Verossa acabavam de deixar suas casas, calmamente, a fim de seguir
para a paróquia. Era uma manhã fria, o ar serpenteava dos montes distantes e fazia o sino ecoar as
consecutivas badaladas. A emoção crescia, pois este era o dia do nascimento de um deles.

1642, no mês em que as folhas caem... Foi uma época estranha e parada, o dia em que Richter
Belmont nascera.
Ele foi levado às pressas para a sacristia, abraçado e coberto por pele de urso, a fim de ser
batizado.
O clérigo, de batina e sobrepeliz, retirou o crucifixo e colocou-o em seu pescoço.
Olhos azuis... Preenchidos por água e poder. Nas janelas de sua alma, força e coragem eclodiam
sem cessar.
A sua mãe, ainda muito debilitada, na cama do quarto ouvia o sino e a ária da felicidade a tocar.
Triste e ofegante, ela agradecia em perfeito silêncio o clamor que o povo entregava a Deus.
O último dos Belmonts, enfim entregue a este mundo!
A Sra. Belmont sabia o motivo de sua chegada, sabia de sua missão, por isso podia descansar em
paz.
Quando o sino parou de tocar, ela teceu com os olhos pesados o seu último agradecimento, e
então se foi.
Naquele instante todos sorriram, exceto Richter, que chorou.
Diziam as más línguas que o seu pai desaparecera do condado de Verossa, mas antes deixara no
seu berço algo que deveria ser entregue a si, quando se tornasse um grande homem...
***
O Sr. Belmont havia deixado o seu legado. Ele passou uma temporada nos montes Apuseni e
desde então nunca mais fora visto. Muitos disseram tê-lo presenciado aos arredores de Verossa,
pouco antes do nascimento de Richter. Disseram também que Íris Westenra, uma mulher de família
aristocrata que estivera grávida, havia tido um romance com ele, e nada deixava omitir o fato de
aquela criança ser também o seu filho.
Entretanto, para o desgosto de Íris, embora fosse um Belmont, o seu filho jamais seria honrado
perante o avô, isso porque a sua família, como vivia em Cluj e seguia a religião cristã ortodoxa,
recusaria os dogmas proclamados pela igreja católica, e na tal época a linhagem dos Belmonts deixara
de se tornar um segredo para todos.
Quando soube do nascimento de Richter, Íris beirou a loucura. Ela queria que o seu filho fosse o
único herdeiro, somente assim ele seria respeitado, e mesmo como um Belmont, toda a família o
apresentaria no palácio da corte.
Como toda mulher aristocrata, Íris trajava os melhores vestidos, usava as mais desejáveis jóias e
possuía os melhores bens. Mas, para a sua repudiada reputação de mãe, até as mais indeléveis
Entre o céu e o mar – Robson Gundim
preciosidades perdiam os valores. Mediante a este e outros fatos, ela decidiu tentar uma nova vida no
interior...
- Papai, eu não vejo por qual motivo devo continuar na cidade grande.
- Ora... Pura tolice! – Exclamou o Sr. Vasile Westenra, afadigado. A sua aparência nobre e
exaltante apresentava sérias preocupações. – Dias atrás pensava em se mudar para Bucareste.
Abominava o campo! O que a levara pensar na pacata Verossa? O que se passa na sua cabeça?
Íris ajeitou uma das mechas de seu ruivo cabelo e penteou-a, encarando o rosto do pai através do
espelho. No mesmo reflexo, ela se admirou e observou o vestido vermelho de cetim que deslizava
sensualmente em seu corpo. Somente agora percebeu quão ingênua estava sendo nos últimos dias.
Ninguém lhe aderia os olhos, nem mesmo um escravo... O seu passado com o Sr. Belmont tinha
agido de modo tão aterrador na sua vida... E nada a faria mudar de idéia! Verossa seria o seu destino e
nem mesmo o seu pai impediria isso.
- Assim como o senhor, ninguém irá me aceitar ou assumir o Nicholas! Talvez em Verossa, a
terra de seu pai, ele encontre a verdadeira felicidade... Talvez eu mesma a encontre!
Num ato de descontrole, o Sr. Westenra levantou-se da poltrona e abandonou a lareira.
- A reputação dos Westenra está escrito em cada esquina desta cidade, e isso há gerações!
Existem milhões de testemunhas que poderiam comprová-la quais seriam as conseqüências de se
presenciar um herdeiro Belmont dentro da nossa família, quem dirá dentro da nossa religião!
- E o que sugere? – Íris lançou a escova sobre a penteadeira e imediatamente virou a face para o
pai: – Quer se livrar do Nicholas? Acha que pode culpá-lo pelo fato de eu ter amado o pai dele?!
- Saber que aquele homem desapareceu tem sido a minha maior satisfação... Não suportaria vê-la
junto a ele novamente.
- O senhor sempre o admirou, não consegue esconder isso. Nunca encontrou um homem tão
corajoso, nunca conheceu a coragem cara a cara, não tão de perto!
A julgar pelas decisões, Íris não denotava estar bem.
O Sr. Westenra engoliu pesadamente e aproximou-se dela, tocando-a nas enluvadas mãos.
- Por favor, Íris... Somente dessa vez... Escute-me! (...) – Ciente do que estava prestes a ouvir, ela
não aquiesceu. – Você precisa se casar com o conde Willefort. Ele é um bom homem e possui as
melhores intenções possíveis.
- Já chega papai! Não suporto mais ouvir o nome daquele conde! O senhor jamais irá me
entender, e nenhum homem possuirá as melhores intenções que um dia pertenceram ao meu
verdadeiro amor!
Preparada para deixar o quarto, a dama de vermelho ouviu uma pronúncia, uma pequena
menção... A única responsável por fazê-la parar...
- Me perdoe... Mas... O que o senhor disse?
Entre o céu e o mar – Robson Gundim
- Você me escutou?
- Não. Não escutei.
- O filho dele... Chama-se... Richter.
- Não. – Íris fechou os olhos.
- Richter Belmont, sabia?! – O Sr. Westenra repetiu, provocando-a. – Seria esta a razão de sua
súbita mudança de planos?
- Não fale o nome dele! Não tem o direito de relembrar-me a existência daquele pequeno
bastardo!
Caminhando novamente em direção a filha, o Sr. Westenra fez um breve aceno com a cabeça,
dizendo-a:
- Se quiser ir para Verossa ou qualquer caminho que decidir tomar na vida, eu não a impedirei. –
Íris se conteve um pouco mais, escutando. Aos poucos, o seu pai parecia enxergar a realidade dos
fatos. – Entretanto, conhece as minhas regras, e sabe que eu as obedeço. Se sair pela porta da frente
com o meu neto... Você não será mais a minha filha.
Seus frígidos e réticos olhares não piscaram naquele instante. Íris deixou o cômodo e foi
diretamente para o seu quarto, pronta para preparar as malas, apanhar as coisas do Nicholas e partir.
- Íris! Você vai abandonar a casa?!
- Não pense que viverei de migalhas! Sou a sua herdeira e terei uma vida digna no interior, e nem
ouse tentar me privar disso!
Antes de deixar a casa, ela despediu-se da mãe e do irmão, que aos prantos prometeram total
apoio.
Ao ser designada à porta, eriçou a face angelical, tentando convencer a si mesma de que tudo
daria certo. O seu filho sendo carregado por uma de suas criadas e o seu pai a assistindo ao lado...
- Não se esqueça de comparecer ao palácio da corte, Sr. Westenra. – Disse Íris. – Temos assuntos
inacabados...
***
Às cinco horas e trinta minutos da manhã de um dia chuvoso, Richter Belmont foi levado a um
velho rancho nos Montes Apuseni, lugar onde se localizavam as maiores montanhas da Transilvânia,
para ser adotado por um senhor que há muito tempo residia ali.
O Sr. Loweed Schwartz, um romeno descendente de judeus, era senhor de uma grande plantação
e proprietário de uma daquelas belíssimas terras aradas pelos vales montanhosos. No pequeno rancho
havia um majestoso lago e animais como cavalos, ovelhas e uma considerável quantidade de bois e
vacas, de onde ele tirava o lucro e o sustento.
Entre o céu e o mar – Robson Gundim
O clérigo se benzeu e colocou Richter em seus braços.
Ele o observou, olhou-o diretamente nos olhos azuis e constatara, no lado direito do peito, uma
pequena cicatriz; a mesma marca a qual o seu pai portava; a mesma marca que o legitimara um
lendário guerreiro.
O Sr. Schwartz sorriu e abraçou-o. Era um novo filho na sua vida. Todos o conheciam, sabiam
que era um bom homem, um bom trabalhador.
A sua casa não se equipava as mansões dos ranchos famosos, não obstante oferecia morada fixa
para uma família. Como naquele dia os criados deixaram o trabalho cedo e o temporal se excedera, o
clérigo acabou por repousar na casa.
À noite os montes não eram vistos, mas o ar vívido que descia das nuvens era tão aprazível que
parecia vir do paraíso.
O Sr. Schwartz, cordato, escolheu o seu melhor vinho e serviu-o ao seu visitante.
Apesar dos trovões, Richter dormia tranquilamente no quarto.
- Então conheceu o pai dele, Sr. Schwartz?
Entre o céu e o mar – Robson Gundim
- Sim, padre Tobias. – Condescendeu o camponês. – Ele esteve aqui durante um tempo... Não foi
muito, mas o bastante para conversar comigo nesta sala. Sentou-se bem aí, exatamente onde o senhor
está.
- Mas que fascinante. – A face do padre careca deixou escapar um afluído de curiosidade. – Digame,
qual era o seu nome?
Aqui e ali, fumando de seu cachimbo e encarando a chuva através da janela, o Sr. Schwartz
moveu os largos sobrolhos.
- Ele não o disse para mim.
- Compreendo. Dizem que o Sr. Belmont era um homem estranho.
- Todos são.
- Que quer dizer?
Loweed largou o cachimbo, ao perguntar:
- O senhor já teve filhos?
Entre o céu e o mar – Robson Gundim
O padre sorriu e negou, bebendo enquanto semicerrava os olhos.
- Nunca tive uma família burguesa. O meu pai era considerado um abade. Então, nasci seguindo
seus passos, de modo que, se me permite, fez-me apenas ver a igreja como berço fraternal.
No começo padre Tobias hesitou a pergunta, mas no fundo pôde entender o real motivo. No
passado o Sr. Schwartz fora bastante poderoso, tivera muitos filhos e uma fiel esposa. Muito
infelizmente, se foram, um a um, vítimas das tragédias da guerra. Com o passar do tempo ele
abandonou a cidade, recebeu terras do governo e iniciou a sua vida no campo.
- As leis dos homens são tão vazias quanto eles mesmos, senhor padre. Por isso decidi ver-me
livre deles.
- Tenho absoluta certeza de que ao seu lado o jovem Belmont terá uma vida digna.
- Sim. – O Sr. Schwartz ergueu a sua taça, propondo um brinde. – Ao futuro de Richter.
- Ao futuro!
***
O condado de Verossa abriu suas portas para uma nova moradora que acabava de chegar da
cidade grande. Na entrada, rosas vermelhas acompanhadas por guirlandas emolduravam o portão,
sendo também manuseadas por acrobatas de rua. Guiada por dois alazões e um cocheiro educado, a
carruagem parou diante da maior residência da praça. Os inúmeros operários pausaram seus serviços
e até as crianças pararam de brincar.
A recente herdeira dos Westenra deixou o seu vestido volumoso ser iluminado pelo sol do meio
dia, dirigindo-se a entrada do casarão. Um belo chapéu também fazia dela uma deslumbrante mulher,
o que fortalecia a idéia de que se mudar para Verossa até então valera a pena.
Durante a comitiva, seu filho Nicholas – já com um ano de idade – foi apresentado à comunidade
e levado pela babá até o quarto.
Íris abriu todas as venezianas da sala e deixou o ar entrar. A seriedade fazendo jus ao seu
momento.
E era verdade... Tudo deu certo...
Não durou tanto, mas foi entre agosto ou setembro do ano seguinte que ela organizou toda a sua
vida. A sua relação com o pai não terminou de modo amigável, o que na realidade não lhe foi uma
grande preocupação. No começo ela portou-se como uma mulher desregrada, movida pela
necessidade de deixar a cidade grande e fazer o Nicholas crescer no interior. Pensou também sobre a
sua reputação. O que seria do Nicholas se os seus amiguinhos descobrissem que a mãe dele era uma
viúva? Por outro lado, apesar de orgulhar-se de ser mãe do filho de um Belmont, não seria uma boa
Entre o céu e o mar – Robson Gundim
idéia para Íris culminar o próprio orgulho e destruir a própria glória. Sendo assim, decidiu omitir o
sobrenome de Nicholas, conservando o brasão Westenra.
Como nunca deixara de ser madura, Íris pensou nas inúmeras possibilidades de se viver em
Verossa como uma mulher solteira, e ainda por cima, – mesmo que poucos soubessem – mãe de um
herdeiro Belmont. As mulheres eram vítimas da repressão, as nobres principalmente. Viviam em um
mundo estreito, repleto de limites e imposições.
“Se eu me casar,” pensou Íris “talvez não manche a reputação da família, ou a do meu filho, que
está a crescer...” E foi então que aquele árduo sacrifício, o conceito do seu pai, incorreu-lhe na mente:
O conde Willefort. O tempo passara em meio a conflitos e transgressões, mas ele ainda a aguardava; e
nem houve tempo para intermináveis confabulações.
Era sem sombra de dúvidas um homem poderoso, obtinha uma cadeira reservada no palácio da
corte de Cluj e governava boa parte da Transilvânia.
Após se casarem, Íris advertiu-lhe de sua pretensão em residir no interior, o que não lhe causou
qualquer problema, exceto a razão de ele nem sempre poder estar ao seu lado, já que tinha o dever de
governar na grande cidade.
Antes de regressar a Verossa, Íris fez uma nova menção ao conde, a qual o contagiou de
felicidades. Segundo os sintomas, os indícios levaram os melhores médicos locais a crerem que ela
estava novamente grávida...
***
Richter Belmont completara três anos de vida.
Era uma criança inteligente, do tipo que demonstrava ter noção das mais inimagináveis coisas.
Quando as águas caíam, ele usualmente parava para apreciá-las. Debruçado na mais alta janela,
permitia que os olhos azuis captassem algo muito além de uma esplêndida chuva... As águas enfim
cessavam, e a partir daí ele se entregava as atividades de seu dia-dia. Ler histórias dos maiores
guerreiros do ocidente ao lado do pai e visitar os cavalos durante a tarde era a sua distração mais
querida. Falava a todo instante em montar num deles e cavalgar livremente.
Naquele dia especial, Nelly, sua babá, recebeu uma carta que chegara do ocidente, das terras de
Montana, para ser entregue nas mãos do Sr. Schwartz.
O camponês abriu o envelope e com muita alegria leu o nome de seu tio Adam, que deixara as
terras romenas há bastante tempo para tentar a vida no outro lado.
O Sr. Schwartz retirou a carta e leu-a:
Montana, 23 de Junho de 1645
Entre o céu e o mar – Robson Gundim
Caro sobrinho Loweed, quanto tempo...
Tem sido muito difícil mantermos o contato. Faz quase três anos que não tenho noticia sua, o que
só fez aumentar a minha preocupação. Não posso voltar atrás, e só hoje enxergo o meu erro em não
tê-lo escutado. Neste mundo cruel só devemos seguir as leis de Deus, e quanto a isso eu estou
satisfeito, pois aprendi com você.
Tenho uma triste notícia. A sua tia faleceu há quinze dias, vítima de uma peste devastadora.
Junto a ela, muitos de nossos companheiros também se foram. Isaac, Bahov, Lydia e outros. Fui um
tolo, admito, mas não cometerei o mesmo erro, por isso lhe escrevo para que, caso esta carta chegue
com segurança em suas mãos, você possa me dar um apoio.
Como sabe a minha filha se casou com um soldado britânico anos atrás, e só há poucos meses
soubemos que ele fora morto. Corajosamente, eu diria.
Adelle retornou para Montana grávida, e há um ano deu a luz a dois meninos. Eu sinto que com a
perda de Loretta ela sentiu-se sozinha no mundo, pois também sente que em breve eu partirei. Por
esse motivo, gostaria que a aceitasse no seu rancho, dou-lhe a palavra de que ela também poderá ser
útil no campo.
Sobrinho, tudo se foi para mim, exceto a certeza de sua compreensão e amizade, sei que posso
confiar em você. Não sei quando ela irá embarcar para a Romênia. Nesta semana ou na próxima,
suponho...
Deixarei logo abaixo o meu endereço, e se possível me responda imediatamente, não sei até
quando estarei aqui.
Que Deus o guie.
Sinceramente, seu tio Adam.
Naquela tarde o Sr. Schwartz não disse uma palavra.
Ele pegou o seu melhor cavalo e deixou o rancho. Ele deu ordens para ninguém deixar a casa até
o dia seguinte. Ajeitou a cela de couro, vestiu a sua antiga veste de guerrilheiro e partiu, levando
Richter consigo.
Todos os empregados e habitantes locais ficaram preocupados, mas sabiam que com Richter nada
aconteceria. O dó que raiara nos olhos do camponês levou-os a crer que a carta o emocionara.
No dia seguinte ele retornou no mesmo cavalo. Richter sorria sem parar, movido por uma emoção
contagiante. Naturalmente, o seu maior desejo quando na primeira fase da vida era voar sobre os
campos.
Entre o céu e o mar – Robson Gundim
O Sr. Schwartz tentou escrever para o tio, mas o endereço que Adam lhe enviara estava bastante
ilegível. Talvez fosse esta a razão pela qual saíra sem rumo, destinando-se aos ventos uivantes da
tarde chuvosa com uma criança de três anos na garupa de um alazão.
Passaram-se os primeiros dias, depois uma e duas semanas... O nevoeiro cobria os bosques a cada
manhã e o sol pouco raiava. Num belo dia, no rancho chegou uma carta concisa, abordando a chegada
de uma moça e duas crianças no condado de Verossa. O Sr. Schwartz trajou a sua melhor vestimenta
e cavalgou até a estalagem que recebia as caleças da cidade grande.
***
A conhecida estalagem dos Ciprian situava-se na antiga estrada que vinha de Bucareste. Esta
mesma estrada se arrastava por entre alguns vilarejos do condado de Cluj Napoca e desfechava-se na
cidadezinha de Verossa. Apesar de ser a saída mais acessível, era raro encontrar pessoas se
amontoando por ali. Como de praxe, o Sr. Schwartz sempre aparecia no local, em grande parte
porque realizava as entregas de lã fora da cidade e porque conhecia a região como ninguém.
De longe, montado em seu alazão, acenou para o empregado que conduzia a sua carroça e
observou o terreiro quase vazio.
Os passageiros da última diligência haviam desembarcado mais cedo, e afora alguns carregadores,
ao ângulo que seus olhos seguiam, uma única jovem aguardava num dos vários bancos de espera.
Deu uma leve esporeada no cavalo, aproximou-se e parou diante da estalagem.
A carroça estacionou; o garotinho risonho e bem trajado que era Richter afogou-se na ânsia e seus
inocentes olhos lacrimejaram.
Loweed encarou-o... Richter, tendo lhe acompanhado depois de muito insistir, exercia uma
expressão que parecia indagar: “Quem estamos aguardando, papai?”
Desde muito cedo, demonstrara-se uma criança ativa e curiosa (sobretudo nos momentos os quais
a ansiedade e a tensão compactuavam-se).
Loweed, contudo, não respondeu, pois a ansiedade de Richter não havia sido capaz de exceder a
sua, que na atual fase do tempo aparentava interminável. Há quanto tempo não via a sua querida
sobrinha? Lá estava ela, de costas, distraindo-se ao meio de duas crianças... Como o tempo se exauria
sem que fosse percebido... Como a vida dançava e avançava! Não tinha notícias de Adelle mesmo
quando ela se casara com um nobre militar, e hoje, além de ser uma grande mulher, era mãe de dois
filhos!
Sorridente, o camponês retirou o chapéu e estendeu a mão para a jovem, em perfeito
cumprimento:
- Adelle, bem vinda aos Montes Apuseni!
Entre o céu e o mar – Robson Gundim
- Hein? Hum? (...) – A mulher grunhiu um pouco confusa, de modo quase que desarticulado. – Eu
o conheço, senhor?
Virou o rosto de leve; os cabelos perfeitamente engrinaldados e os olhos e bochechas maquiados.
O Sr. Schwartz vislumbrou-a moderadamente:
- De fato dispõe de muita nobreza para ser a minha sobrinha. Desculpe o meu lapso, senhorita.
- Condessa. – Corrigiu Íris, admirando o garoto que segurava a mão do Sr. Schwartz. – Condessa
Willefort...
Ele não deixou de notar as atenções sigilosas da condessa, que toda vez em que olhava para
Richter parecia ser controlada por uma força estranha. Não sabia definir ou dizer com clareza, mas
havia naquela mulher qualquer coisa de falso.
- Como eu disse, condessa Willefort, foi um simples engano. A pessoa a quem estou procurando,
além de ser jovem e bonita, também possui dois filhos (embora vossa pessoa possua um adorável
casal, ao invés de dois meninos...)
Íris moveu os olhos escuros, condescendendo. Abraçou o lindo casal de filhos e saudou-se.
O menino, muito pequeno e bastante arrumado, ergueu a sua pequenina mão na mira de Richter,
agindo espontânea e, para todo caso, afetuosamente, como se já o conhecesse.
- Ora, – o Sr. Schwartz sorriu e acariciou o cabelo do garoto – pelo visto o seu herdeiro se deu
bem com o Richter.
- Nicholas! – Íris exclamou puxando o filho para o seu alcance, impedindo que Richter, munido
pela inocência, se aproximasse de Nicholas. – Vamos para casa, imediatamente. – Levantou e
saudou-se de novo. – Com licença, senhor.
- Titio Loweed! – Uma voz delicada gritou do lado leste da estalagem, arrancando a atenção que o
velho Loweed dava à ação rude da condessa Willefort. – Sou eu, a sua sobrinha Adelle!
Ele fitou-a com curiosidade e sorriu. “Esta sim é a minha sobrinha!”
Ela, entretanto, ao invés de apertar-lhe a mão, abraçou-lhe com muito cuidado – porque duas
crianças dormiam em seu colo – e deu ao tio um afetuoso beijo no rosto.
O Sr. Schwartz recordou-se de seu último encontro com Adelle. Sua memória às vezes fracassava,
mas de Adelle era capaz de lembrar... Naquela época, ela ainda se tratava de uma menina sardenta!
- Perdoe-me, titio... Não o reconheci de imediato.
O Sr. Schwartz gracejou:
- Culpe o tempo, querida, ele é quem nos torna velhos e irreconhecíveis!
- Sem dúvidas.
- Dormiu durante a viagem? Não é todo dia que damos a volta ao mundo...
- Oh, titio! Faz o meu estômago embrulhar! – Na hora do riso, Adelle ajeitou a veste de uma das
crianças. – O problema é que esses dois não me deixaram pregar os olhos...
Entre o céu e o mar – Robson Gundim
- Crianças adoráveis. Como se chamam?
- Esse adormecido chama-se Alfred II.
- Oh, – O Sr. Schwartz sentiu o tom honorifico disseminado pela sobrinha – Alfred era o nome de
seu esposo?
- Sim senhor.
No instante em que respondera, Adelle foi incapaz de esconder qualquer expressão melancólica O
seu tio, compreensivo, preferiu adiar a sessão que abrangia os relatos macambúzios, chamando pelo
carroceiro enquanto ajudava Adelle a dirigir-se ao transporte.
Recebeu um dos garotos nos braços, admirando-o... "Alfred II. Uma criança simpática, movida
pela palidez... Por certo herdara a pele do pai!" E argumentou:
- Sinto muito pelo acontecido, querida. Como disse o tio Adam, o seu esposo morreu
corajosamente e honrou a sua nação.
Adelle assentiu. Ajustou uma das mechas do anelado cabelo, subiu na carroça e recebeu de volta
o adormecido Alfred II. Ventava pouco, mas o bastante para o seu rosto tristonho se tornar mais
legível. A extroversão de Richter, no entanto, fez com que ela se sentisse contagiada pela sua
harmonia, permitindo-a sorrir e imediatamente simpatizar com a sua vivacidade.
Isso contribuiu, em muito, para Adelle seguir com a cabeça erguida, certa de que o destino
poderia concedê-la uma nova chance de viver, de sorrir e de reencontrar aquilo que consideramos
"felicidade".
***
Montes Apuseni, 15 de Agosto de 1645
Caro titio Adam... Recebi a sua carta há algumas semanas, mas o endereço que me enviou foi
inútil, e muito infelizmente só pude vir a escrever-lhe quando Adelle desembarcou. Ela chegou ontem
à tarde, muito cansada e aparentemente tristonha. A princípio mantive minhas dúvidas, mas agora
entendo o que ela sente, e nada parece ser tão duro quanto à saudade pelo senhor, pelo falecido
noivo e pela titia Loretta, imagino.
Titio, o senhor sempre guardou para si a responsabilidade de cuidar da família. Perdemos
parentes, amigos, e só Deus sabe de nossas dores... É o nosso trajeto, e conquanto tenhamos de
passar por isso, assim como os piores, melhores dias estarão por vir. Perdemos contato devido a
abominável era das guerras! Mas eu creio que agora poderemos trocar cartas e, por fim, nos
reencontrarmos. Os meus novos sobrinhos são criaturas lindas! E creio que Adelle escolheu bons
nomes. Não compreendo a terra britânica, mas confesso que dispõem de belas denominações.
Entre o céu e o mar – Robson Gundim
Leonard e Alfred II, (este segundo honra o nome do pai), um herói, de fato. Como sabe, nunca fui
adepto as leis deste governo mundano, e me mudar para esta terra e ter a oportunidade de me sentir
pai de novo me encheu de tanta satisfação que, sem dúvidas, só devo agradecer a Deus.
Há algum tempo conheci grandes guerreiros, um deles foi o mais adorado por muitos, pois
enfrentou o desconhecido. Após o seu desaparecimento e o falecimento de sua esposa, deixou-me o
herdeiro. Um presente sem igual. Ele está comigo, completou três anos, e seu nome é Richter; o
último dos Belmonts. Há rumores locais sobre um segundo herdeiro, mas descarto qualquer hipótese.
Há nos olhos dele o reflexo do poder, da coragem, sinto isso! Porém, por instinto titio eu sinto que
ainda devo omiti-lo para o mundo. Estamos seguindo em frente, contentes, não acredito que seja
necessário provar para os homens corruptos que ele é um Belmont. Ao invés de cometer o mesmo
erro e rever o que aconteceu com meus filhos, eu prefiro criá-lo, ensiná-lo e vê-lo crescer.
Titio, muito obrigado pela sua carta. Adelle e seus filhos estão bem, e a nossa casa continuará
sendo sua, as portas estarão abertas até o seu retorno. Rezarei pelo seu regresso. Escreva-me mais, e
se possível assim que receber esta carta.
Sinceramente,
Seu sobrinho Loweed.
***
A carta endereçada ao tio Adam foi enviada no dia seguinte, mas passaram-se anos e ninguém
recebeu alguma notícia dele.
Correram notícias e boatos sobre as guerras civis, a peste, e os corajosos que padeceram
encontrados no profundo Missouri... Não teve jeito. O Sr. Schwartz e Adelle cansaram e acabaram
perdendo suas últimas esperanças.
Mais uma vez a guerra tirara algo precioso de suas vidas.
Todavia, a cada mês em que as folhas caem, Richter crescia e aprendia mais sobre a vida, sobre o
seu passado e, o mais importante, a si próprio.
Mesmo cientes dos maus prenúncios das guerras, viveram felizes por longos anos. O rancho
passou a ser um mercado de lã, os campos deixaram florescer mais flores e frutos, e a colheita era a
cada dia mais do que satisfatória. Adelle cuidava dos frutos, e a mando do próprio tio descansava e
cavalgava durante as tardes.
Em 1647, para aumentar os negócios, o Sr. Schwartz cedeu boa parte de suas terras a um casal de
camponeses, os Sres. Jonathan e Anna Legrand, aristocratas que haviam perdido fortunas na
Inglaterra e optaram por tentar recomeçar. Eles levantaram uma casa, construíram um novo arem e
Entre o céu e o mar – Robson Gundim
deram uma ótima vida a seus dois filhos, Vasseur Legrand, nascido em 1642, e Annette Legrand,
nascida em 1644.
O rancho cresceu e novos compradores de lã e gado passaram a freqüentar o local.
O Sr. Schwartz sentiu-se satisfeito com a sua produção, com o crescimento das crianças e com as
prósperas visitas do velho clérigo. Ele ia quase toda semana abençoar as plantações. Tornou-se um
homem velho, mas não desmemoriado... Acarretava-se sempre de contar as novidades, as mudanças e
o crescimento bem sucedido da pacata Verossa.
Richter, Leonard, Alfred II, Vasseur e Annette viviam em perfeita união.
Leonard, Alfred II e Annette tinham a mesma idade, eram considerados, assim como Vasseur,
como filhos do Sr. Schwartz. Mas Richter era o seu favorito. Era nele que conseguia enxergar a
bravura dos Belmonts, do guerreiro que conhecera há bastante tempo.
Embora aparentasse o contrário, Vasseur também era um bom garoto. Vivia a pescar e a brincar
no lago do rancho, dizendo ser um pirata beberrão.
Os irmãos Leonard e Alfred II eram carne e unha, nunca deixavam de ajudar um ao outro. O
primeiro dizia ter o sonho de mudar para a metrópole, enquanto o outro admitia querer crescer e viver
ali. Annette era a mais madura, até demais para a pouca idade, nunca falava sobre os assuntos que
envolviam o seu futuro. Richter portava uma mente habilmente reservada, no entanto era incapaz de
esconder seus maiores anseios. A sua infinita vontade de ter conhecido seus pais era um deles, mas
ele enxergava o Sr. Schwartz como verdadeiro pai, e isso já lhe era o suficiente.
Em 1652 os conflitos amenizaram. Muitas pessoas visitaram seus entes queridos e outras se
mudaram para os condados vizinhos e distantes. Nessa mesma época, inesperadamente os filhos dos
Sres. Legrand deixaram o rancho. Vasseur decidiu por conta própria, após a visita do irmão mais
velho de Jonathan, o formidável meio francês e meio inglês, Vincent Martinez. Já Annette, recebeu o
convite de tia Marie para estudar num colégio conceituado na grande Bucareste, (o que lhe pareceu
um pesadelo!). Marie, que viera junto a Martinez, ao contrário dele tinha planos de instabilizar-se na
metrópole, o que garantiria uma futura educação refinada a sua única sobrinha. No começo Annette
recusou deixar o rancho, porém seus pais e tios aconselharam-na a partir.
Ciente de tal ocorrência, Richter passou a trancafiar-se ainda mais na solidão de seus
pensamentos...
Viver no campo já não seria o mesmo que viver livremente, por isso decidiu aproveitar os últimos
momentos ao lado de Annette.
Numa sexta-feira frígida, Annette e Richter acordaram no finalzinho da alvorada. Calçaram suas
respectivas botas com silêncio para não acordar tia Marie e, sorrateiros, desceram as escadas e saíram
pela porta dos fundos, na direção da lavoura. Mantendo na cabeça a idéia tentadora que lhes roubara o
Entre o céu e o mar – Robson Gundim
sono, só pensavam em prosseguir... A lourinha viajaria no dia seguinte, portanto eis a sua última
chance de operar o grande plano...
A natureza acordava; os animais levantavam, os galos cantavam, os bosques farfalhavam e o sol
nascia entre os morros... A copa de pinheiros além do campo ainda estava escurecida. Era possível
escutar os uivos dos lobos e os gorjeios das grandes corujas, ambos distantes. Correndo de mãos
dadas, as duas crianças atingiram o bosque e imergiram nas árvores sombrias.
Da casa era impossível avistá-los.
Dentro da floresta, Richter e Annette seguiam em fila, as mãos repelidas, seguindo o movimentar
na correria...
- O papai me falou que o bosque se chama Castel. – Comentou o menino, irrefreavelmente.
Annette alcançou-o e em seguida voltou a ficar atrás, incapaz de correr como ele.
- Rich, está indo depressa demais!
- Devemos correr Ann, não haverá outra oportunidade!
- Tem razão...
Entre o céu e o mar – Robson Gundim
A lourinha tentou correr mais rápido, recordando-se das longas tentativas em que ao lado de
Richter fracassara. Desde quando vira o bosque pela primeira vez tentara desvendar aquele mistério.
Ela afastou-se de um galho despencado e saltou por uma grossa raiz. Ao terminar de fazê-lo,
escutou um silvo eclodir a sua direita...
Annette olhou ao redor, assustada, diminuindo os passos que pouco a pouco se tornavam nulos.
Troncos de pinheiros a brotar... Muitos deles... E a chuva; a primeira gota das águas dos céus em
seu rosto a tocar...
Um silvo, um eco de um assobio macabro... Parecera-lhe o chamado de uma serpente ou qualquer
ser traiçoeiro das matas...
Sentindo a espinha esfriar e o coração estremecer, Annette partiu na arrancada, procurando com
pânico e horror a presença de Richter, que desaparecera.
- Rich!
Onde ele poderia estar? Teria ele corrido depressa demais? Ou teria a lourinha desacelerado
demais e, por descuido, acabara por se desencontrar do fiel amigo?
- Richter!
Sem saber para onde ir ou mesmo para onde olhar, a menina apenas correu... O bosque cantava, o
sol iluminava, a coisa sibilava e as águas caíam; do céu e dos olhos azuis... Annette persistiu na
corrida, firmemente, mas devido ao temor acabou tombando no chão.
Um imenso buraco interditava o caminho, e se não fossem as raízes que malhavam em volta, a
lourinha teria sido engolida por ele. Dependurada por uma mão, Annette privou-se de olhar para
baixo, um caminho sem fim para o desconhecido. Pouco adiantava, pois o vento que lhe subia às
pernas e às costas comprovava a inenarrável profundidade do assombroso abismo... Esforçava-se o
bastante para escalar pela margem, entretanto as raízes molhadas se tornavam lisas, e Annette não
portava força suficiente para alcançar a elevação.
Ao final, quando os primeiros dedinhos escaparam e quando os pulmões da garotinha perderam o
ar, uma mão interpusera-se no que seria um salto para a morte, agarrando-a com total determinação.
- Ann, segure firme!
A lourinha eriçou a face regada pela chuva e pelo pranto, revendo o rosto de Richter. Ele a
segurou com mais firmeza, apoiou-se com os pés nas cavernosas raízes e puxou-a de volta para a
superfície. Ela afastou-se da margem do abismo, completamente suja de lama, e abraçou o amigo
como nunca havia feito na vida.
- Você jamais iria cair Ann...
- Como saberia?
- Eu nunca permitiria.
Ficaram abraçados por um bom tempo.
Entre o céu e o mar – Robson Gundim
Com o novo fracasso em tentar descobrir o segredo do bosque, voltaram imediatamente para casa,
cientes da série de broncas que se submeteriam... Dito e feito! Para ambos, apesar disso, o que agia
como um verdadeiro castigo era a noção do futuro... Annette partiu na manhã seguinte, e os dias
perderam o brilho que Richter havia conhecido.
Com o passar dos meses, Richter sentiu-se meio deprimido. Foi um marco na sua vida, a sua
primeira fase dificulta; sobreviver aos momentos em que antes estivera ao lado de Annette. Só que às
vezes ele se pegava de surpresa por recordar de um antigo acontecimento, como um amigo lhe
estendendo a mão em um dia frio, numa desértica estalagem repleta de caleças vazias.
Essas e outras recordações inexplicáveis tomaram conta de sua mente inocente, levando-o a crer
que um dia todas elas seriam correspondidas pelo tempo...


Por aí dá pra termos uma ideia do que será o livro, né???? eu já estou lendo o meu e posso afirma r que esto gostando muito. Jajá temos resenha. 
Beijos!!!!


7 comentários:

  1. Como disse, em comentarios anterior.
    Não conheceia este livri, mas fiquei meio que curiosa pra saber a historia. Lendo este prologo, deu pra sentir como é o livro. Pelo visto deve ser bom
    bjs

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  2. Adorei o trecho,ou seria melhor dizer capítulo???

    gostei bastante e vou esperar ansiosa pela sua resenha para saber se aposto ou não no livro.

    bjss

    Bianca
    http://www.apaixonadasporlivros.com.br/

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  3. Esse prólogo tem quantas páginas rsr... O livro parece interessante, ainda não entendi bem a história.

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  4. Confesso que não li todo o prólogo, mas desde que você falou deste livro, que estou curiosa sobre ele. Vou aguardar sua resenha para ver se aposto. Bjus
    Lia Christo
    www.docesletras.com.br

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  5. Adoro esses nomes Richter, Westenra... É um chiquismo só haha
    Eu fiquei bem curiosa sobre o livro, a história parece ser boa.
    Beijinhos!
    http://fulanaleitora.blogspot.com.br

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  6. Oi amiga, vou tentar voltar mais tarde para ler tudo, agora no trabalho não dá, pois é bem extenso!!

    beijos Mila

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  7. Menina, to achando que esse livro promete heim? Só li o início, mas depois volto aqui e comento de modo decente... kkkkkkkkkkkkk

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