8.3.13

Livros, garotos e cupcakes!










Olá amigos!!!
Vamos embarcar em mais uma aventura de Karolayne?




Ando pelas ruas movimentadas me desviando das pessoas coléricas que não se preocupam se estão ou não pisando em meus pés, paro em frente aos imponentes portões ornamentados vermelhos sentindo meu estomago protestar contra o vazio.
Aperto a pasta contra meu peito sentindo minhas mãos geladas e úmidas escorregarem pelo plástico rosa, respiro fundo, entro me dirigindo a coordenação de jornalismo, nem todos os meus sonhos românticos conseguiram protelar este momento, a gravidade me tirou das nuvens me jogando contra a terra com um zumbido em meus ouvidos.
Ignoro a amabilidade da secretária e não sou contagiada por seu humor esfuziante, minhas preocupações são maiores que os encantos que a vida adulta pode despertar.
Ela me entrega o boleto bancário que eu tenho que pagar até o dia seguinte para confirmar a matricula, ao olhar o preço quase engasgo, mais não demonstro nada, saio da faculdade mais tremula do que entrei e uma gigantesca pergunta começa a torrar meus neurônios, como vou conseguir pagar a faculdade?
O emprego que tive no ano passado não dava nem para pagar a matricula, talvez eu devesse vender a biz que minha avó tinha me dado de dezoito anos, não, eu não poderia fazer isso, dona Hortência tinha juntado suas economias para me dar aquele presente.
Meio desnorteada começo a caminhar pela rua, paro em frente a uma bela mansão de dois andares cercada por um belo jardim, um papel branco encardido estava colado no muro bege escrito com letras garrafais:
“PRECISA-SE DE BABÁ, PEGÁ-SE BEM.”
Mesmo sabendo que era loucura e eu não podia nem cuidar de mim, anotei o número o armazenando na memória de meu celular.
Caminho mais rápido e só diminuo o ritmo quando entro na loja de cupcakes, Ângela está sentada tranquilamente se lambuzando com um delicioso bolinho de cobertura rosa e muitas jujubas.
- Oi mocreia – me mostra a língua – como foi de matricula?
- Péssima – me jogo na cadeira de ferro prata com o estofado colorido – o preço daquilo me deixou de cabelo em pé.
 - Bem vinda ao mundo adulto garota apaixonada!
- Obrigada – agradeço mesmo sabendo não ser algo para ser agradecido – ate já peguei um telefone para um emprego.
- sério?
- Aham, pagam bem.
- O que vai fazer? – tira os cabelos escuros do rosto bronzeado.
- Babá.
- O que?!
- Pagam bem – abro os braços – não tenho muita escolha, minha mãe não pode pagar minha faculdade e o colégio de Alan e Patrick, eu tenho que colaborar.
- Mais de babá? Você nem aguenta seus irmãos.
- Eles me deram experiência.
Sem mais delongas ligo para o número ignorando a cara de espanto de minha melhor amiga que está com emprego garantido em uma loja de grife.
- Alô? – a voz soa meio cansada.
- Boa tarde – faço uma voz adulta e segura mesmo sabendo ser o oposto de mim – estou ligando para a vaga de babá.
- Sério? – a voz soa espantada – quando você quer começar?
- Quando a senhora quiser – tento ocultar o entusiasmo.
- Amanhã, bem cedo se possível.
 - O salário é bom mesmo? – Ângela me reprova com o olhar.
- Pago o que quiser desde que possa trabalhar até as seis da tarde.
- Tudo bem, amanhã estou ai.
Olho para Ângela com um olhar travesso:
- Viu – sorrio – talvez amanhã eu já esteja trabalhando.
- Poderia conseguir uma coisa melhor – seu olhar é reprovador.
- Ângela – faço um beicinho – a vida não é formada por livros, garotos e cupcakes.
- Eu sei – rebate exasperada – mais babá?
- É uma profissão digna e pagam bem, o que eu quiser na realidade.
- Karolayne – morde o bolinho – e se a criança for uma peste?
- isso não me preocupa – pego seu suco dando um gole – sou acostumada com Alan e Patrick e eu preciso de dinheiro, quero tirar a carteira de motorista, pagar a faculdade e começar a me virar sozinha.
- E você acha que seu salário vai cobrir tudo isso?
- Não, mais eu tenho algum dinheiro para pagar a matricula e já me escrevi para ser bolsista.
- Tudo bem Karolayne – suspira – vou te apoiar.
Ficamos mais algum tempo conversando, depois vou pra casa e quando falo para minha mãe de meu futuro emprego ela derruba seus papeis e morde os lábios finos.
- Babá, tem certeza?
- A mulher parecia desesperada – tento parecer confiante – e posso ganhar o suficiente para me virar.
- Eu vou te ajudar Karolayne, você poderia...
- Mãe – a interrompo – me deixa tentar ser adulta, crescer não é fácil, pense em Alan e Patrick, eles precisam de você.
- Ah, Karolayne – me abraça – quando foi que você deixou de se esconder embaixo de minha saia?
- Há bastante tempo mãe.
Depois de vencer minha mãe fui para a cama e quando o despertador tocou, vesti uma roupa que acreditei ser adulta: saia preta de cintura alta, camisa branca e sapatilhas grafite.
Andei cinco quadras até a mansão bege e toquei o interfone.
- Quem é? – pergunta a mesma mulher que falou comigo no dia anterior.
- Karolayne, fui eu quem ligou ontem para a vaga de babá – explico.
- Ah, - suspira causando um chiado – entra.
O portão se abre e eu ando no caminho estreito formado por minúsculas pedrinhas brancas, a porta de carvalho está aberta e uma mulher de cabelos negros e olhos de um verde vivo aparece com um sapato na mão e uma garotinha de olhos iguais aos da mãe e cabelos tão escuros quanto agarrada em sua perna.
- Sou Marta – se apresenta sorrindo – vamos conversar?
- Claro.
Entro na casa insegura retorcendo os dedos nervosa, a menininha sai correndo e Marta abre a primeira porta revelando um escritório, me convida a entrar com um gesto e nos sentamos lado a lado em frente a mesa de mogno coberta de papeis e xícaras de café que parecem estarem ali a muitos dias.
- E então Karolayne – passa a mão nos cabelos ondulados e bagunçados – qual sua experiência como babá?
- Não tenho experiência – opto pela verdade – mais ajudei minha mãe a cuidar de meus irmãos.
- E se acha apta? – pergunta gentilmente.
- Me acho – mordo os lábios – o que não sei posso aprender e realmente preciso do emprego.
- Olha – me encara com o semblante calmo – vou ser sincera, as ultimas três babás não aguentaram e você sendo tão nova, não sei.
- Se a senhora conhecesse meus irmãos acho que sairia correndo – tento reprimir o nervosismo forçando um sorriso – e a senhora pode tentar fazer uma experiência.
- Tudo bem – suspira como se estivesse muito cansada – estou desesperada, você vai cuidar de Bia e Manu, elas são gêmeas e tem cinco anos.
- Meus irmãos também são gêmeos – comento me lembrando daquelas pestes puxando minhas tranças.
- Ótimo – levanta – tem também Pedrinho, mais esse se vira sozinho, vamos tratar do salário.
Nos vinte minutos seguintes lhe conto sobre meus planos e ela sorri, Marta é alguém fácil de se gostar, e o salário que me oferece é muito maior do que o esperado e quando tento lhe falar que é muito ela me cala com um gesto falando que já foi jovem e sabe o que é pagar uma faculdade. Combinamos que trabalharei de segunda a sexta das dez da manhã às seis da tarde e nos finais de semana quando tiver necessidade, acertamos que se dali a dois meses eu não fugir ela assina minha carteira - Marta ressaltou que eu tenho essa opção que ela sabe que as filhas não são fáceis -.
Marta me leva para sala e me apresenta Bia, que sorri para mim pegando em minha mão e me mostrando sua coleção de bonecas, quando sou apresentada para Manu tomo um susto, ela parece uma mini terrorista e ao invés de me apresentar a brinquedos me mostra a língua pisando com toda força em meu pé, em seguida atira seu tênis na vidraça que quebra com um estrondo.
Me encolho e penso no salário, perto dela meus irmãos são anjinhos,  Marta grita com a garota que faz um beicinho e eu aproveito a situação defendendo a garota que sorri para mim parecendo um anjinho, depois ela sai correndo.
- Entende agora por que as outras fugiram? – me olha apreensiva.
- Meus irmãos aprontam em dobro – minto.
Continuamos andado pela sala e eu fico imaginando como deve ser Pedrinho, no mínimo deve ter uns treze anos e ser tão terrível quanto Manu, ah se eles fossem tão calmos quanto Bia.
- Pedro Henrique! – grita Marta me assustando – venha conhecer a nova babá.
Me encolho esperando pelo pior.

7 comentários:

  1. A essa vai ser muito boa,vamos aguardar os próximos capítulos. Como sempre a escrita crescendo. Parabéns

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  2. É sempre um prazer ler os textos dessa coluna,concordo com a Verônica,esse está muito bom... aguardando ansiosa os próximos!!!

    bjsss

    Bianca

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  3. Acho lindo como a cada dia a escrita dela evolui... Dá dando banho em escritores veteranos. Parabéns!

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  4. Ola, mais uma vez adoreii esse texto/conto.
    Anciosa para ler o proximoo
    bjs

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  5. Ai que fofo!!! Tá otimo! E esse "Pedrinho" deixou-me com a pulga atras da orelha...rs... Bom é aguardar a continuação....

    Parabéns!

    Lu. Franzin

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  7. Nossa adorei o conto!!
    Com certeza estarei aqui novamente para conferir outro desse =)


    Beijos,
    Carol e seus livros.

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