4.4.13

Emprego novo, incomodo novo...














Pedro Henrique falou alguma coisa inteligível e começou a descer as escadas, engoli em seco, o garoto que estava descendo não tinha nada de Pedrinho mais de Pedrão, o gatão.
Ele tinha cerca de vinte anos, cabelos negros e olhos mais verdes do que os das irmãs estava sem camisa, revelando um físico escultural, desvio os olhos constrangida.
- Pedro – Marta me aponta – esta é Karolayne a nova babá.
Ele me olha de cima abaixo e parece estar se divertindo quando fala:
- Não tinha alguém mais alta?
- Pedro não começa – ela passa a mão nos cabelos aparentando cansaço – você pode ignorá-lo que não tem problema – se dirige a mim e eu só concordo meio chocada.
- Oi, Kerolay não é? – sorri tirando os cabelos grudados na testa, porque eu tenho esse fascínio por olhos verdes?
- Karolayne – o corrijo olhando para minhas sapatilhas.
- Você pode começar hoje? – a mão do senhor sorriso sedutor me pergunta.
- Aham – tiro os cabelos do rosto.
- Que bom, vou aproveitar para chegar um pouco mais cedo no escritório, Pedro mostra a Karolayne a casa e, por favor, sem piadinhas não posso perder outra babá.
Ela me dá um sorriso encorajador e sai me deixando olhando para meus pés.
- Me siga Kerolay – faz um gesto para mim o acompanhar.
- É Karolayne – o corrijo mais uma vez.
Ele não responde e sorri balançando a cabeça ao me analisar mais uma vez, mordo os lábios por que estou muito tentada a lhe perguntar qual é o problema.
Pedro me leva até a cozinha e me apresenta a Nancy uma mulher com cerca de quarenta anos que cuida da casa e da cozinha que me deseja sorte, enquanto subimos as escadas, Manu a pequena terrorista volta e me entrega uma lesma de borracha.
- Pra você – sorri de uma forma que me deixa encantada.
- Muito obrigada – sorrio mesmo estando prestes a jogar o bagulho longe.
- De nada – sai correndo, os cachos balançando em suas costas, olho mais uma vez para a lesma temendo que ela comece a se mexer.
Fecho bem a mão e volto a andar, Pedro me espera encostado na escada, parece tão divertido quanto sua irmã.
- Não vai começar a gritar? – pergunta apontando minha mão que está fechada em volta do negócio.
- Não – abro a mão – é bonitinho.
- Você vai sair gritando em dois dias – afirma – a outra babá fez a mesma coisa e você sendo tão nova.
- Acho que não, uma lesma e duas meninas de cinco anos não me assustam.
- Então você não conhece Manuela, ela vale por duas.
- Meus irmãos por quatro – dou de ombros sorrindo feliz por ele não conseguir me assustar – não tem mais nada que me assuste.
- Tenho certeza de que ela poderia te pendurar de cabeça para baixo na escada – continua tentando me assustar e agora entendo o olhar preocupado de Marta quando o apresentou a mim.
- Já fui pendurada de cabeça para baixo em uma árvore – e é verdade ainda tenho a cicatriz no joelho e ainda vou me vingar daqueles garotos.
- Estava de saia? – olha minhas pernas e eu sinto o rosto arder.
- Não – respondo secamente.
- Foi o que pensei.
E em meio a perguntas sem sentido ele me mostra a casa imensa, tenho certeza de que vou me perder, por último chegamos a uma porta com um monte de placas avisando para manter as mãos afastadas.
- Meu quarto – anuncia – pode me visitar quando quiser kerolay.
- Não obrigada, não sou sua babá – ele pediu, ficou me irritando e fazendo perguntas sem noção o tempo todo.
- Se quiser ser minha babá não me oponho – começa a rir e eu me seguro para não lhe dar um soco.
- Não quero – o encaro zangada já adivinhando que não vamos nos dar bem.
- Tudo bem – dá de ombros – mas sei que não vai resistir e vai acabar vindo me visitar.
- Não sei por que – estou no auge da irritação.
- As garotas não resistem a mim – e é tão modesto que chega a me dar vontade de vomitar.
- Não sou comum – discordo passando o seu lado disposta pedir a Nancy para me ajudar nos problemas de localização.
Desço as escadas e encontro Bia sentada no chão brincando, Manu está ao seu lado, começamos a conversar e apesar da atitude relutante logo nos três nos tornamos boas amigas, brincamos de casinha, e de se esconder, depois eu lhes dou almoço.
À tarde elas tiram uma soneca e nesse meio tempo vou até o quarto que dividem – decorado com as princesas, tão lindo que chego a desejar dormir ali em meio às almofadas – e organizo os brinquedos no baú, depois pego a lista que Marta deixou e começo a ler as atividades que tenho que fazer.
São atividades simples, como passear no parque e passear com o cachorrinho – Que se chama Boboca – uma vez por semana elas fazem natação e nas quartas feiras curso de inglês, nas sextas feiras vão para um acampamento – tenho de acompanhá-las – onde brincam com outras crianças.
Às três horas elas acordam, eu as levo para passear na volta lhes dou banho – é divertido, tirando a parte em que Manu tenta fugir- e sirvo o lanche da tarde.
Sobrevivo ao meu primeiro dia de trabalho e Manu apesar de ter pisado em meu pé umas vinte vezes para ver se eu brigava com ela se tornou minha amiga, Bia é um doce e sua risada gostava me anima a voltar no dia seguinte.
Marta fica maravilhada ao ver seus bebês limpinhos vendo TV em uma sala organizada quando chega.
- Você é um anjo – me abraça feliz – e Pedro?
- Tudo bem – tirando a parte em que eu queria lhe furar a testa com um garfo no almoço quando começou a me irritar.
- Ótimo – está quase batendo palmas – nos vemos amanhã.
Saio quase pulando, feliz por sobreviver e chegar em casa a tempo de ver Damon Salvatore sem camisa com Ângela.
Quando chego à rua, Henrique me espera do outro lado e um sorriso bobo surge em meu rosto, não estava acreditando que ele vinha. – tinha me pedido o endereço por mensagem-.
- Sobreviveu Kerolay? – Pedro com um skate firmado na ponta do pé e com os cabelos suados grudados na testa sorri zombeteiro.
- Sobrevivi – sorrio vitoriosa.
Antes que ele possa voltar com suas perguntinhas sem noção atravesso a rua correndo e me jogo nos braços de Henrique.
- Oi – fala tirando a franja de meu rosto.
- OI – aquele sorriso bobão surge de novo.
E então antes que eu tenha um infarto ele se inclina e me beija, finalizando meu primeiro da de trabalho com chave de ouro.

8 comentários:

  1. Mais um lindo conto... ansiosa pelo próximo!!

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  2. To achando que esses contos são um treinamento para um livro heim? TOmara... Fico na torcida... BJS!

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  3. Ola, como sempre viajo em seus contos.
    É bem assim mesmo, a hitoria de hj.
    Adorei, vc tem talento
    bjs

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  4. Adorei ^^
    Muito bom....

    Beijos Mila

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  5. Esta coluna é uma delícia. Como disse a amiga Elimar, acho que está se preparando para um livro... kkkk
    Parabéns pelo texto.
    Lia Christo
    www.docesletras.com.br

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  6. Como assim um conto? Eu quero é o fim disso. Pode continuar, por favor. Oxente! Me deixar assim com água na boca querendo mais. Eu posso processar você, viu, por me causar um troço qualquer no coração. rsrsrsrsrs

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  7. Quero um livro... quem sabe, hein!
    Mesmo que seja um livro de contos... seria um bom início!

    Bjs

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  8. Obrigada a todas que estão acompanhando as aventuras de Karolayne, é ótimo você escrever algo que as pessoas tem prazer em ler e ficam curiosas para saber qual será o próximo passo.
    Para as que estão curiosas e suspeitam de um livro só posso afirmar que o livro está sendo escrito e é uma história bem maluca vivida por nossa eterna sonhadora...
    :)

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