2.5.13

Desafio Aceito! - Jariane Ribeiro







                 Trabalhar tem sido um desafio e tanto, tenho de aguentar Manu a mini terrorista e Pedro o irmão mais velho que ama me atormentar, agora deu para fazer piadinhas a respeito de Henrique, coisa que um dia ele vai chegar aos pés de meu namorado, fofo lindo e tudo de bom que não se cansa de me ligar para falar que está com saudades mesmo que a gente tenha se visto no dia anterior.
- Você confia em seu príncipe Kerolayne? – perguntou ontem, e nem quero falar da maneira que ele fala meu nome, faz isso só para me ver irritada.
- Confio inteiramente – respondi enquanto arrumava os brinquedos das meninas, elas estavam na hora da soneca.
- Não deveria, tenho percebido que vive lendo livros de romance – faz uma careta, ele me viu lendo crepúsculo no dia anterior – não seria isso o motivo de sua inteira confiança? A vida não é um conto de fadas e príncipes não existem.
- Eu confio nele, porque nós dois somos capazes disso, nós dois temos um relacionamento e ele não precisa ser um príncipe, pode ser somente ele que já está de bom tamanho – respondo secamente.
- Você sabe usar bem as palavras – observa – mais será que sabe o significado do que fala?
- Sei – sento no tapete – e se está entediado vá andar de skate, importunar a babá não é algo legal.

- Gosto de importunar a babá – gira o piercing que tem no canto do lábio inferior – ela se irrita e começa a gaguejar.
O fuzilo com os olhos, o piercing chama minha atenção e eu percebo que seus lábios são carnudos, a pele branca e meu Deus, aqueles olhos – tão verdes qual é o meu problema com olhos verdes? – o cabelo desarrumado cai na testa, e se eu não gostasse de Henrique e não o odiasse – Pedro, quero dizer- eu simplesmente o levaria para um quarto escuro e jogaria sete minutos no paraíso com ele.
Desvio o olhar, Pedro adora me irritar, desde meu primeiro dia aqui – um mês atrás – ele se joga no sofá há essa hora e me irrita de todas as maneiras possíveis, sempre fico feliz quando ele trás alguma garota, porque enquanto ele se agarra com ela em seu quarto – Marta nem sonha com isso – eu leio meu livro em paz ou brinco de casinha com Bia ou corro atrás de Manuela brincando de pique esconde.
É divertido ser babá porque de certa forma você volta a ser criança e ri só porque elas riem também, aos poucos Manu tem confiado em mim, e apesar de sua mania de querer destruir tudo é uma criança legal.
Aproveito a soneca de minhas pupilas e vou levar suas roupas para o armário, no caminho encontro Pedro sem camisa e com uma calcinha fio dental presa entre os dentes tirando fotos no espelho do console, é algo engraçado já que ele não percebe que está sendo observado.
Quando passo ao seu lado ele me olha horrorizado e eu quase derrubo o cesto de roupas no chão de tanto que rio.
- Calcinha de sua mãe? – pergunto tentando voltar ao normal.
- Não – me encara, está vermelho – você vai contar pra ela?
- Aham – começo a me vingar – por todos os dias que me infernizou.
- Vai ter volta você sabe disso – a calcinha preta cai em seus pés.
- Por quê? Ela talvez fique orgulhosa de sua nova carreira de modelo – isso é por aquele negocio da saia, garoto tarado.
- Está me desafiando? – cruza os braços.
- Aham – apoio a cesta no console – a não ser é claro que me prometa uma coisa.
- Se quiser que eu fique sem roupa não precisa se envergonhar – sorri irônico.
- Quero que pare de me importunar – sinto o rosto arder.
- Isso – faz uma cara de decepção – pensei que iria querer que eu te levasse para meu quarto e...
- Para com isso – o interrompo – quero só que pare de me perturbar e a propósito, tenho namorado.
- Não sou ciumento – começa a rir – mais não se preocupe você não faz o meu tipo.
- Nem quero fazer, vai parar de me importunar?
- Não – continua sorrindo – vou aceitar o desafio senhorita sabe tudo.
- Tudo bem – pego o cesto – mais vai se arrepender.
- Vingança?
- Aham – o encaro – você não vai mais ficar fazendo piadinhas as minhas custas Pedro.
- Só não chore Kerolay, não me sentiria culpado mais você não é muito bonita daí...
- Cala a boca! – exclamo exasperada – odeio você!
- Tô com tanto medo de sua fúria de gatinho, que nem imagina, acho que vou me jogar pela janela.
- Vá se catar.
Saio dali irritada, quando Marta chega eu me despeço sem falar nada, estou tão irritada que nem vejo Henrique na rua me esperando.
- Karly – agora ele só me chama assim, não é fofo?
- OI – volto pra trás e me jogo em seu colo – já estava com saudades.
- Eu também – segura minha cintura, meus pés estão fora do chão nos dois sentidos – tenho uma surpresa hoje.
- Que surpresa? – não consigo parar de sorrir.
- Lembra que ontem me falou que fazia um mês que estávamos juntos? – o sol bate em seus olhos que ficam cor de mel.
- Aham – apoio minhas mãos em seus ombros.
- E então, a surpresa tem a ver com isso.
- Não vai contar? – faço um beicinho quando ele me coloca no chão.
- Se eu contar não vai ter graça – tira a camisa xadrez ficando só com a camiseta azul, calças jeans e tênis.
- Nem mais uma pista? – sorrio.
- Nem mais uma pista – beija a ponta de meu nariz – e não adianta sorri dessa maneira, não vou contar.
- Por favor – faço outro beicinho não aguentando a curiosidade.
- Não – tira minha franja do rosto.
- Você é mau – coloco os braços ao redor de seu pescoço.
- Sou sim, muito mau.
Henrique me beija e depois abre a porta do caro para eu entrar, não consigo identificar para onde está me levando, só sei que estamos perseguindo o por do sol.





6 comentários:

  1. Esses textos ainda vão te levar longe menina. Não pare de escrever... Nunca! A persistência só nos leva a apurar o nosso talento. E que talento! BJS!

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  2. Ai que fofo!... Aguardando a continuação...

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  3. Estou repetitiva aqui, continue no caminho sua escrita está crescendo a cada dia.

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  4. Mais um texto gostoso de ler... Sempre que leio seus textos, termino com um gostinho de quero mais... Você escreve muito bem e deve perseverar nesse estilo.
    Lia Christo
    www.docesletras.com.br

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  5. Como outros, esse tambem amei.
    Você é muito boa nisso, esta no caminho certo
    bjs

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  6. Adorei o Texto ^^
    Sempre bom acompanhar está coluna..

    Beijos Mila

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