3.7.13

Tipo assim, eu não sei se te amo - Jariane Ribeiro

Olá amigos!
Karolayne voltou... E para quem gosta da coluna, vou lhes contar um segredinho: Ela virou livro. em breve, e se Deus quiser muito em breve, vocês poderão levá-la para casa.






Henrique segue em direção ao por do sol e por mais que eu insista ele não revela onde está me levando. Cansada de perguntar abro o vidro e encosto a cabeça no banco deixando o vento forte bater contra meu rosto e bagunçar meus cabelos
- Chegamos moça – Henrique me cutuca de leve e eu abro os olhos percebendo que estamos na praia.
- Nunca vim nesta praia – sorrio ao ver o vento levantar a fina areia que forma gigantescas dunas.
- A maioria das pessoas não vem aqui porque o mar é muito agitado – abre a porta e dá a volta abrindo a minha – vem vamos nos deitar na areia.
Entrelaço meus dedos aos seus e o sigo em direção a fina areia, tiro meu tênis e me deito ao seu lado. O sol está se pondo, o céu está tingido de vários tons de rosa e laranja, um verdadeiro espetáculo, o sol refletido no mar muito verde é hipnotizante.
- Ontem fizemos um mês de namoro – Henrique fala sorrindo e eu também sorriu – então decidi que era um bom momento para te falar uma coisa e te dar um presente – tira do bolso da camisa um pacote pequeno dourado.
Sorrio mais ainda diante do brilho em seus olhos.
- O que quer me falar? – seus dedos deslizam pelas costas de minha mão.
- Eu te amo Karly – seus olhos brilham e meu coração para de bater.
Abro e fecho a boca algumas vezes, não sei o que responder e sinceramente não esperava por isso, quer dizer eu esperava que algum dia disséssemos isso um para o outro mais não tão cedo. Não me leve a mal, mais com um mês de namoro você não ama a pessoa você é apaixonada por ela ou nem isso.
Henrique não percebe minha reação consternada e tira de dentro do pacotinho dourado uma fina corrente com um pingente de cristal em formato de coração, quando o sol toca a pedra acabada criando um mix de cores que é tão encantador quando o por do sol refletido no mar.
- Pra você – seus olhos continuam brilhando e sei que ele espera que eu responda.
- Obrigada – pego a fina corrente entre os dedos e volto a sorrir – você pode? – ergo a corrente e ele a pega.
Enquanto Henrique coloca a corrente em meu pescoço eu tento formular uma resposta coerente para sua afirmação. Estou me sentindo como Mia em A princesa apaixonada quando Kenny falou que a amava por telefone. Se ele tivesse feito isso por telefone teria sido mais fácil porque daí eu poderia fingir que a ligação estava cortando e deixar para outro dia.
Henrique volta a sentar de frente para mim e sinto que está ansioso, esperando por uma resposta que eu não sei dar. Será que se eu falasse:
- Tipo assim, eu não sei se te amo.
Eu o magoaria ao falar isso? Ou então se eu dissesse:
- Eu te adoro!
Se eu falasse isso com a empolgação certa valeria por um “eu te amo” não é?
Oh, Deus a quem eu quero enganar? Eu não posso falar “eu te adoro” esperando valer um ” eu te amo”.
Respiro fundo e tento dar algum sentido as palavras que eu sei e devo dizer:
- Também te amo – as palavras irrompem de minha boca sem que eu tenha controle sobre elas.
Henrique dá aquele sorriso glorioso digno de um modelo e se aproxima, não quero que ele me beije. Eu sou uma mentirosa mais não tive tempo de me afastar e enquanto era beijada tentei achar um modo de concertar o que minhas palavras mentirosas tinham feito.
 Ficamos abraçados vendo o por do sol. Eu não consigo assimilar nada do que ele está dizendo e só sorrio e concordo nos momentos certos. Quando ele me leva pra casa eu tento parecer animada e feliz mais praticamente salto do carro e subo as escadas correndo até o apartamento de Ângela.
- Você precisa me ajudar – entro na sala bem mobiliada e me jogo no sofá.
- Primeiro – tira meus pés do sofá e senta ao meu lado – Boa tarde.
- Boa tarde – coloco o braço em cima dos olhos sentindo uma inesperada dor de cabeça.
- Quem morreu?
- Ninguém – sento e nem me preocupo em ajeitar os cabelos – eu sou uma mentirosa.
- Por quê? – arregala os olhos cor de chocolate derretido e ajeita o cabelo Chanel.
- Henrique disse que me ama e meu deu isto – aponto para a corrente reluzente em meu pescoço.
- Isso é ótimo – bateu palmas, empolgada.
- Não é – faço um beicinho – eu não o amo e menti dizendo que também o amava. Isso é extremamente errado porque eu criei à falsa ideia de que nutria um sentimento mais forte por ele.
- Você não nutre agora mais vai sentir isso daqui a um tempo ou pode já estar sentindo e nem saber.
- Será? – fico mais agitada ainda – não é assim nos livros, nos livros as pessoas se dão um tempo para se apaixonar.
- Aqui é o mundo real – levanta e começa a andar pela sala de um jeito engraçado – as pessoas ficam e namoram e se apaixonam depois ou só sabem que amam a outra depois do fim.
- Mais isso não é certo – também começo a caminhar como uma barata tonta – eu deveria estar apaixonada por meu namorado, ele é fofo e foi o primeiro cara que beijei. A gente tem que se apaixonar pelo primeiro garoto que beija não tem?
- Não! – me olha de um jeito estranho – o primeiro garoto que beijei foi Jorginho, em uma brincadeira de verdade ou consequência, foi algo constrangedor e babado, e eu nunca mais quis ver o nerd na minha frente.
- Mais você é diferente de mim, enquanto curtia festas eu lia, enquanto ficava com garotos eu escrevia contos românticos para o jornal da escola sem que ninguém soubesse que era eu.
- Isso não tem nada a ver – senta no sofá e me chama para seu lado – nos conhecemos desde o jardim de infância e somos diferentes mais ao mesmo tempo somos garotas e sonhamos com alguém que nos ame. Você tem isso e deve ficar feliz independente de estar confusa com seus sentimentos ou não.
- Será? Será que eu vou chegar a me apaixonar por Henrique do jeito que as mocinhas amam os mocinhos nos livros?
- Acho que você gosta mais de Henrique do que pensa, e sim acho que vai só não esqueça que a vida não é um conto de fadas, nada dura para sempre.
- Eu sei – suspiro e deito a cabeça em sua perna – será que eu podia ficar aqui hoje?
- Claro! – fica feliz – hoje tem The Vampire Diaries e podemos ficar vendo até tarde Damon Salvatore.
- Acho que eu amo o Ian Somerhalder – suspiro ao lembrar dos olhos azuis dele.
- Todas amamos – começa a rir – e agora que você falou que escrevia contos românticos para o jornal da escola eu me lembrei que nunca ninguém chegou de fato a descobrir que era você.
- Só você – lembro-me do alvoroço que isso causou, todos queriam saber quem era “Sonhadora”.
- Era legal – suspira dramaticamente – eu gosto daquele sobre o senhor do tempo, já pensou e escrever uma história?
- Já – penso nos cadernos cheios de contos e micro histórias em meu guarda roupa.
- Garanto que até o final da faculdade já vai ser uma escritora publicada, daí já vamos dividir um apartamento e eu vou trabalhar em um laboratório conceituado...
Ângela começou a falar de nossos planos para dali alguns anos e eu acabei esquecendo meu drama sobre não saber se amo meu namorado. Lembramos-nos de alguns meses antes quando eu escrevi meu último conto para o jornal da escola e por alguns instantes queria ainda ser a autora de contos misteriosos e não a babá que tem que cuidar de duas pestinhas e aturar o irmão mais velho gato delas que só fala besteiras.


Beijos! Semana que vem tem mais.







9 comentários:

  1. Oie!!
    Não conhecia a coluna, vou ler mais agora mesmo ou espero o livro? De qualquer forma super feliz por vc e já na listinha de divulgação, conte comigo para o que precisar!!!
    Bjoss

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    1. Obrigado Fê!!! Em breve ja farei a resenha do livro e ela disponibilizando eu ja envio para vocês. bjs

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  2. Ai que fofo, ver TDV é td, posso me juntar a turma e ver também?!
    Adorei e acho que não é o Henrique ainda... hehehe

    beijos Mila
    http://www.dailyofbooks.blogspot.com.br/

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  3. Olá, que bom saber que vai virar livro,
    que vitória, hiem?
    O texto esta lindo
    bjs

    http://loveebookss.blogspot.com.br/

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  4. Que coisa mais fofa... PArabéns a ela, por conseguir realizar esse sonho de ser escritora. Espero que muitas outras pessoas consigam acompanhar o livro e o desenrolar da trama. BJS!

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  5. Bem eu sabia que ela seria reconhecida. Ao longo da coluna a escrita dela cresceu. Parabéns pela novidade.

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  6. Opa! Que notícia boa!
    Agora quero o livro!

    Bjs

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  7. Eu gosto do seu jeito de escrever, tem algo vibrante e colorido na sua maneira de contar as coisas. Esta coluna é muito fofa e fico feliz de saber que vai sair o livro. Desejo muito sucesso a você nesta nova caminhada. Bjus
    Lia Christo
    www.docesletras.com.br

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  8. Tipo assim, já não era sem tempo. Beijossssssss

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