3.8.13

Clube das Blogueiras Escritoras

Olá amigos!!!
Hoje damos iníco ao nosso projeto do Clube das Blogueiras Escritoras.
Nosso primeiro tema foi Revolução.
Eu trago para você o Conto da Bruna do Blog Fleur De Lis. Acessem o seu blog e conheçam outro conto que também será publicados.





Naquele momento, toda a minha trajetória até ali veio à tona.
Era fim de tarde nas ruas do Rio. As pessoas estavam por todas as partes com placas e bandeiras, gritando animadas, reivindicando seus diretos. Era uma cena até bonita de se ver, ainda mais para mim, com meus 17 anos apenas admirava. Era a tal revolução que os jornais haviam falado que estava apenas começando.
-Ana vamos!
-Só um pouco Laura. Vamos junto!?
-Claro que não! Vamos para casa, anda.
Não tive tempo de argumentar... Os gritos de eufóricos passaram a amedrontados e começou uma correria enorme.
 Eu olhava atordoada tentando entender de onde vinham os tiros que eu estava ouvindo, quando os dedos de Laura escorreram pelos meus. Me virei a tempo de ver seu corpo cair com os olhos estáticos. Me deixei cair junto. Meus gritos eram abafados pelos da multidão. Não me lembro muito bem do que ocorreu depois, eu só conseguia focar no sangue de Laura que manchava minhas mãos. Sei que fui levada e fichada como vândala. Eu era apenas uma menina passeando com a irmã mais velha. Só depois disso eu entendi o que movia aquelas pessoas nas ruas, era à vontade por justiça. Mas eu queria uma justiça diferente. Me juntei a uma liderança mais radical. Nessa altura a revolução havia se tornado guerra, as ruas eram campos de batalha. Aos poucos a cidade estava dividida. As pessoas nem lembravam mais o que havia levado elas as ruas inicialmente, no momento tudo era uma questão de sobrevivência. Ou derrubavam os poderosos de uma vez ou seriam aniquilados.
Sabe o que vem com a guerra? O desespero e no desespero as pessoas tendem a ficar menos cuidadosas. Por conta disso eu conseguir entrar para o exercito inimigo. Em tempos difíceis qualquer um que se apresentasse dizendo que queria lutar pela causa deles era aceito.
No momento eu estou apontando uma arma para a cabeça do meu superior.
-Ana o que está acontecendo?
-Senta.
-Ana..
-Eu disse SENTA! – Mas é claro que ele não se mexeu.
-Ana o que foi que deu em você?
-Se sentindo confuso e traído Carlos? Eu sei exatamente como é. – Eu havia prometido a mim mesma que não choraria, mas foi inevitável.
-Ana você sabe que seu soar o alarme os soldados vão entrar e vão matar você.
-Não há soldados para entrar. Estão presos em seus dormitórios, sem nem terem consciência disso.
-O que foi que você fez?
-Não é o que eu fiz... é o que eu vou fazer.
-Ana você está confusa, a guerra às vezes faz isso com a gente. Me deixa te ajudar. Eu não vou te machucar... Eu te amo.
Isso era verdade. Carlos tinha sido a paz em meio ao caos. Achei que a única coisa que eu era capaz de sentir era o ódio que me queimava por dentro, mas quando eu estava com ele, às coisas eram diferentes. Mas ele nunca me apoiaria.
-Bom. Assim você sabe exatamente o que eu senti. Eu confiava no meu País, eu amava meu País. E fui traída.
- Ana! – Era Eduardo. Ele era da força opositora da qual eu fazia parte. Eu havia ajudado eles entrarem na base para por nosso plano em pratica. – Já está tudo pronto. Vamos.
-O que? – Carlos estava completamente atordoado.
-Pode ir.
-Ana..
-Eduardo, vai!
-Ana só temos alguns minutos.
-Então para de perder tempo e sai logo daqui.
-Adeus então. – Ele saiu fechando a porta.
-Só faltam alguns minutos para o que?
- Para o fim. – Carlos sabia que eu falava a verdade.

Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, a primeira bomba explodiu sacudindo o chão e me tirando o equilíbrio. Antes que eu me desse conta Carlos já estava em cima de mim tentando tomar a arma. Ouve uma segunda explosão. O teto começava a desmoronar, haveria apenas mais uma explosão. Com o tremor causado pela segunda explosão a arma caiu. Mas não importava, nenhum de nós teria como escapar. Para a minha surpresa, Carlos segurou meu rosto e me beijou. Percebi que ele também chorava. Ouvi a terceira e ultima explosão ao mesmo tempo em que ele sussurrava “eu te amo” em meus lábios. Senti o gosto salgado das lagrimas e a dor dos estilhaços de vidro da porta entrando na pele e então não senti mais nada.


Espero que tenham gostado dessa nossa primeira edição.
M~es que vem tem mais.
Beijos!!!!