31.7.14

Às vezes o improvável é o certo

Teve uma vez que eu só via você no mundo, até mesmo quando não sabia que você existia, eu te procurava, procurava em cada beco escuro em que andava e em cada gole de cerveja quente que eu tomava.
Quando você apareceu às outras coisas perderam o sentido, os outros garotos se tornaram só os outros e você se tornou o único, até mesmo quando eu não era única em sua vida, quando todas as garotas da cidade faziam da sua cama a delas e enquanto eu te esperava na minha cama tomando uísque e fumando o charuto do meu pai.
Eu sempre fui o tipo de garota complicada que experimentou tudo cedo demais na vida, à espécie de garota que não se importou de mentir para a melhor amiga sobre o fato de estar bêbadas as sete da manhã e na cama de um desconhecido porque essas coisas são comuns quando se tem dezenove anos e faz uma faculdade que odeia.

A única coisa que experimentei tarde demais foi o amor. Eu fiquei tempo demais sendo da cidade inteira enquanto você me esperava, fiquei tempo demais bebendo porque achava que isso era descolado. Eu tentei tanto tempo esquecer quem eu era que quando eu me dei conta que você ainda me esperava quis voltar a ser a garota inocente, mas já era tarde demais eu já estava naquela vida maluca de universitária que bebe até se esquecer quem é.
E então eu resolvi mudar, mudar por você. Abandonei aquela faculdade idiota e parei de terminar com você de cinco em cinco minutos e levar o primeiro otário que me desse moral para cama para te esquecer, mas dai quem entrou na fase do sou de ninguém foi você, mas eu já tinha metido na cabeça que estava na hora de ser adulta e ao invés de ir atrás de você em seu apartamento sujo eu fui para uma entrevista de emprego. Fiquei lá retocando o batom e esperando que eu tivesse perdido aquela cara de adolescente que só sabe curtir a vida.
Fui contratada no emprego e parei de contar migalhas enquanto você se tornava o cara da cidade inteira, aprendi a economizar me tornei adulta e fiz um intercambio. Tornei-me uma garota famosa na internet por ser séria e não a maluca bêbada que estava na faculdade errada. Eu me tornei dona de mim e continuei te esperando. Te esperei até que enquanto estava entrando no avião para ir para Londres encontrei Ele, um tipinho mais velho que não sabe fazer piada, mas que faz o tipo que engole uma gramática do Cegalla.
Eu achei Ele divertido e dividimos o suco de laranja sem açúcar da primeira classe. Lhe contei que era jornalista e que demorei tempo demais para achar meu caminho, Ele me contou que ficou casado por cinco meses e pediu o divórcio porque precisava se encontrar, o achei mais divertido depois disso.
Combinamos de nos encontrar em um bar qualquer de Londres e enquanto tomávamos Martine seco comecei a achar os poucos fios de cabelo grisalhos Dele atraente, mas não agi impulsivamente e o levei para minha cama, eu quis continuar sendo a garota certa que faz a coisa certa.

E enquanto eu estava sendo amiga do cara certinho esqueci você, passei a querer Ele e não me importei mais com o fato de você ser o cara da cidade inteira, percebi que o menos esperado é o melhor e o que o improvável provavelmente é o certo. 

24.7.14

Bruxa má

Uma vez me falaram que se você está na chuva é para se molhar. Eu penso um pouco ao contrário, como sempre. A pessoa que inventou esse ditado com certeza tinha um guarda-chuva hiper fashion com coraçõezinhos ou bolinhas brancas e também deveria de morar no norte do país e não no sul, como é o meu caso.
Eu sei que o ditado é uma metáfora, o parágrafo acima era apenas uma comparação meio irônica. Mas agora, enquanto digito este texto, consigo ouvir os pingos de chuva contra o asfalto da rua e também consigo sentir o vento gelado se chocando contra minha pele, o que não é muito agradável. Aqui na minha cidade quando é inverno qualquer garoa vira neve derretida. Desculpe essa minha conversa sobre o clima deve estar entediando você, vamos ao que interessa de uma vez por todas?
Pois bem, eu falei toda essa baboseira meteorológica como uma metáfora para mim mesma, meus sentimentos confusos e meus desamores. Tem um garoto aí, é eu sei sempre um garoto, mas esse garoto é meio estúpido, ele espera que eu seja melosa e que o ache lindo, quando na verdade tudo o que eu penso é que ele se acha demais e só quer me beijar.

22.7.14

2º Semana do livro Nacional

Como já falei, quem tem amigo tem tudo. Esse final de semana teve um evento na Discoteka Cultural em São Paulo, como moro longe não pude ir, mas tenho uma amiga/irmã que foi e fez um artigo delicioso para nós.
Drika, muito, muito obrigado! 
Vamos ver como foi?




Estamos na 2ª Semana do Livro Nacional, de 17 a 27 de julho de 2014.
Nesse período vem acontecendo vários encontros de autores nacionais em livrarias para divulgar e discutir a literatura brasileira contemporânea.
No último domingo (20), o encontro foi na Discoteka Cultural localizada na Vila Mariana. Contamos com a presença dos escritores: Sandro Cuesta, Débora Guimenes, Simone O. Marques e Jô Lima. Como mediadora a também escritora Jéssica Anitelli e convidada surpresa a Lyoko.
O encontro foi bem produtivo, onde leitores puderam interagir com seus autores preferidos, entendendo melhor a visão do escritor. Foram discutidos temas como a utilização de “clichês”, do que os escritores procuram “fugir” em suas construções e o que procuram empregar. A visão de cada um para com suas obras e a relação autor/leitor.
O evento foi regado a boas risadas, muito bom humor e logicamente polêmicas entorno do tema.
Infelizmente a literatura brasileira ainda é vista, principalmente nas escolas, como composta apenas de clássicos escritos no início e meados do século passado. A divulgação a literatura brasileira contemporânea ainda encontra muita resistência e isso acaba por afastar os jovens leitores da nossa geração criando uma barreira, pois os clássicos não ‘falam’ a mesma língua dos jovens de hoje, isso dificulta o entendimento e principalmente o despertar do gosto pela leitura, sendo esta vista como uma ‘obrigação’ pelos jovens e não como prazer.

16.7.14

Ficar Bem

Eu nunca fui do tipo delicada, daquele jeito que anda nas nuvens e sai abraçando todo mundo por aí. Quando alguém me fala que está doente, eu desejo melhoras, simples assim.
Mas com você foi diferente. Eu estava lá, na solidão de sempre, em frente ao computador, escutando Panic! At the disco e xingando meu professor de literatura (que me obrigou a ler Franz Kafka). E de repente meu celular (que só serve para ouvir música), tocou. Eu pulei da cadeira e o livro ridículo do Kafka caiu no chão. Seu nome estava lá, junto com muitas mensagens de minha operadora avisando que meus créditos estavam acabando.
Eu abri a mensagem e vi que você estava doente. Meu coração virou um nó e pela primeira vez na vida eu não desejei melhoras e fui evasiva, eu fiz milhões de perguntas e pedi para você ficar bem.

1.7.14

Desculpa Moço...

Sabe moço, você apareceu na minha vida de uma forma inesperada, em um momento de solidão, quando eu acreditava que ninguém nunca seria capaz de me amar, mas dai veio você, com seu jeito manso e tímido e foi me tirando da concha aos poucos, fazendo com que eu sorrisse em meus piores dias.
Não demorou muito para querer me encontrar e viu mais em mim do que qualquer outro, me beijou e não foi o melhor beijo do mundo, durante o beijo descobri a falta de simetria e a ausência de borboletas, me vi pensando nele e se o beijo dele me faria mais feliz.